5.5.18

Ė deputado quem quer, é professor quem precisa

O que tem vindo a lume sobre alguns deputados da AR sobre as falcatruas relativas às suas moradas para a obtenção de subsídios de deslocação choca brutalmente com a realidade diária e anual da deslocação de professores por necessidades profissionais. E o que choca, na verdade, já nem é a existência dessas regalias para quem tem funções de governar a res publica, é sobretudo pela trapaça, pelo oportunismo, pela gritante falta de ética na manipulação das moradas das suas residências.     
"São vários os casos de deputados que têm casa própria em Lisboa mas que dão como morada aos serviços do Parlamento outra casa mais distante, beneficiando assim de um subsídio de deslocação mais chorudo." (in Público)

Em contrapartida:
"Todos os anos, milhares de professores mudam de residência ou percorrem centenas de quilómetros, dia a dia, para trabalhar." ( in JN)
Em situações previstas pela lei e que impliquem o pagamento de subsidio de deslocação e, se necessário,  subsídio de alimentação,  aos professores ( correcções de exames nacionais, instituições de estágio, etc), a sua morada terá sempre como referência a da localidade onde se encontra a escola. Assim, aqui é o sistema que obriga a que os professores mintam.
No tempo de Salazar, contaram-me, que os professores primários eram obrigados a assinar um documento a testar que não viviam a mais de 5 km da escola.
Na década de oitenta, fui colocada na escola secundária de Tábua, a 30 km de casa, para fazer estágio e, ao longo de dois anos, deslocava-me de 15 em 15 à Escola Superior de Educação de Coimbra para as sessões teóricas do estágio. Nesse dia, ia de minha casa diretamente para Coimbra, que fica a cerca de 45 km.
 No entanto, como a minha morada "seria" Tábua,  as ajudas de custo cobriam os km entre Tábua - Coimbra - Tábua: 60+60=120 km!
Mas o mais caricato era uma colega minha de estágio que residia em Coimbra e que  apresentava os 120 km de deslocação para pagamento de ajudas de custo, porque oficialmente residia, tal como eu, em Tábua.
Situação completamente esquizofrénica!
Ressalva: desconheço se isto ainda se verifica atualmente.



       

2 comentários:

  1. Professores, médicos, pessoal dos registos e notariado.
    Ouvi as notícias, ouvi uma tal de Elza Pais a falar e tive que desligar a televisão porque estava a ficar mal disposto.

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  2. Sinto um cansaço mental ao ouvir/ler notícias porque começo a pôr tudo em causa.
    E isto não é normal!
    Boa semana, Pedro

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