17.12.17

Sugestão!

Diz-me com quem andas, dir-te-ei...
Diz-me o que comes, dir-te-ei...
Diz-me o que lês, dir-te-ei...
E, a partir desta estrutura semântica, poderíamos criar uma espécie de pensamentos em catadupa, correndo o risco de sermos inconvenientes com a pessoa alvo da nossa observação.
Mostra-me como escreves, dir-te-ei...
Nada! Não direi absolutamente nada. E, santa paciência, não me venham com a conversa que se entende o que está escrito, ou que cada um escreve como sabe. Julgo que ter um blog implica, por um lado, gostar de escrever e, por outro, ter brio na escrita e clareza de ideias. Haverá, naturalmente, outras justificações.
Acabei de ler um blog, onde o verbo haver é tratado a pontapé. Ainda pensei tratar-se de uma brincadeira. Mas não! E a não ser, não deixa de ser difícil conseguir a proeza de usar o e o à em situações sistematicamente trocadas.
Para o equilíbrio mental de alguns puristas da língua portuguesa e para evitar a vergonha de quem assim escreve, sugiro à Academia das Ciências de Lisboa, que parece ir proceder a algumas alterações ligadas a ambiguidades criadas pelo Acordo Ortográfico de 1990, que anule o h da escrita, à exceção, obviamente, da sua presença no dígrafo consonântico lhe.
E como as frases feitas também se abatem, lá teremos de pôr de parte a expressão calcinada pelos tempos: um homem com um agá grande.
Acredito que eles não irão ficar ofendidos, até porque os agás não se medem aos palmos e, depois, sendo eles, os agás, mudos ninguém dará pela sua ausência.
Tal como no verbo haver.

2 comentários:

  1. Se não tivessem Acordado não se colocavam estes problemas.
    Tinha que dar barraca!
    Boa semana

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  2. Discordo, Pedro, este erro básico nada tem que ver, rigorosamente nada de nada, com o AO. Não façamos dele bode expiatório para encobrir e iludir uma ignorância crassa que campeia por aí. O Ao apenas retirou o hifen das formas verbais do verbo hsver quando conjugado na perifrástica. Confundir a+a= à ( fui a a escola, da junção resulta à ) com há (existe) muita gente...e depois, uma ou outra vez acontece, mas trocar sistematicamente as formas?
    Boa semana, Pedro
    Abraço

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