21.11.17

Emoções a céu aberto

Morreu inesperadamente um colega da escola e que pertencia ao seu grupo disciplinar. Ela quis homenageá-lo e colou uma quadra singela de despedida no seu mural do facebook.
A curiosidade inicial, e identificada a triste situação, foi dando lugar à consternação de ex-colegas, ex-alunos e pessoas em geral. A dada altura, os comentários foram tornando-se mais intimistas e liam-se frases do tipo: tem coragem, amiga, estou contigo, força, sê forte, lá em cima a estrelinha ficará a olhar por ti...E tantas outras frases gastas, de circunstância, numa escrita sem filtro onde muita coisa é mesmo o que parece: pessoas que não leem, limitando-se apenas a bojardar.
Perplexa, vi no mural da minha amiga a morte não de um amigo e colega, mas de um familiar muito íntimo e imaginei a seu desconforto.
Por tudo e por nada, estas orgias emotivas que surgem sob a forma de avalanches nas redes sociais são assustadoras, porque mostram a banalização e o sequente esvaziamento das relações humanas.

Descansa em paz, amigo. Isso não se faz, morrer aos 62 anos.


2 comentários:

  1. Célia, tem razão. Estamos numa era de banalização e generalização dos sentimentos. Temos todos muita pena, lamentamos muito e estamos sempre ao dispor de for preciso algo. Ouve-se muito isto. Mas quando realmente precisarmos de alguma coisa, alguma daquelas pessoas que gentilmente (?) se pôs à nossa disposição naquele momento... estará realmente disponível? Acredito que talvez não.

    E o mesmo acontece nos aniversários. As mensagens que nos chegam são sempre tão... iguais!

    Um beijinho

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  2. Sim, infelizmente vamo-nos habituando a este destilar de emoções circunstanciais, banalizando-as também nós, dando-lhes um olhar de esguelha e continuando a nossa vidinha. Só estremecemos,só nos revoltamos quando a situação nos é próxima. Como foi o caso descrito.
    Relativamente aos aniversários, consegui, nem sei bem como...eheheh...enganar o FB. Não apregoa o meu dia de aniversário! Confesso que era uma estopada ter que agradecer tantos parabéns, assim, fico reduzida aos familiares e amigos do peito que, obviamente me contactam por outras vias.

    Beijinho

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