20.9.17

Desde que se entenda...

Desde que se entenda é uma expressão com a qual embirro. Não me compete chamar a atenção da pessoa para que se esforce um pouco mais para escrever melhor a sua língua-mãe. Esta expressão é toda ela um hino à balda linguística que lemos por aí, e num país de grandes consensos culturais rasteirinhos, formatados pelas redes sociais, é vermos as hostes, armadas de forquilhas e varapaus, a perseguir os pseudo-intelectuais - outra expressão que se esvaziou por força do uso e abuso de alguns walking deads mentais - culpando-os de muitos dos males que atrofiam a sociedade.
Que se passa com alguns bloggers que usam cada vez mais a estrutura morfossintática e expressões do português do Brasil?!
Será que se expressam assim oralmente?
Escrever não é exclusivo de ninguém,  mas quem navega na internete convém que se esmere, que tenha um pouco mais de brio pessoal no uso da sua língua. Ressalvo que não são os níveis de língua - entre os quais gosto de me mover, entre o calão e a gíria e até a recriação de palavras - que critico, aliás, quanto mais versatilidade, mais riqueza linguística, o que é criticável é a lenta assimilação do português do Brasil. Ainda se fosse o do nível do cuidado. Mas não.
Gostaria de ficar quietinha no meu canto, mas ler/ouvir tantos atropelos à língua põe-me, por um lado, triste e, por outro, revoltada.
A ignorância é um estado de espírito que apazigua e desenvolve o atrevimento. Digo eu.




2 comentários:

  1. O que vi/ouvi por estes dias em Portugal também não me deixou nada tranquilo.

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  2. Por norma, não sou nada apocalíptica, mas sinto que o uso da lingua tem vjndo a piorar assustadoramente.
    Leio certos blogues que me deixam perplexa, tais são os atropeloe linguísticos. E, carambas, não precisamos todos de andar a falar pelo cantinho da boca, ou a usar um léxico inflacionado, basta-nos ser portugueses.
    Bom fim de semana.
    :)

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