6.9.17

Acho que perdi o fio à meada nestas minhas reflexões

Como li algures, são mais as pessoas que reagem contra as inanidades do que aquelas que produzem inanidades.
Quase de um momento para o outro, transformámo-nos em achadistas, em críticos entendidos em tudo e mais alguma coisa, em pessoas da nata que bóia acima da moral e dos bons costumes,  em linguistas sôfregos de expressões-chavão que se canibalizam e perdem significado...
As redes sociais tiveram aqui, e continuam a ter, um papel decisivo.
Penso que andamos todos baralhados e embrulhados em movimentos que já nem discutimos, porque nos cai em cima o carmo e a trindade do politicamente correto, da censura - recurso agora usado de forma leviana e ignorante - dos "tenho muito orgulho em", e por aí adiante.
Ainda ontem comentávamos sobre a violência doméstica e a ligeireza com que se mata a mulher, mais do que o homem, nos tempos atuais. Aqui há umas décadas, tínhamos conhecimento que muitos  maridos zurziam nas mulheres, ora uns chapadões, ora umas sovas e tudo isso à luz do dia e de uma sociedade que legalmente dava essa liberdade ao macho. Hoje, numa sociedade mais informada, mais preocupada com a igualdade entre os cidadãos, assistimos a homicídios quase diários. E não é por ação dos media que nos dão conta imediata dos crimes, porque vivi muitos anos numa aldeia, onde tudo se sabe num raio de imensos quilómetros,  e não havia memória de tantos crimes.
 É esta mesma sociedade que se horroriza com um gato abandonado, com as touradas, etc.
Cresci no tempo das touradas, recordo ainda aquelas matinés em que a minha avó me levava às garraiadas na praça de touros da Figueira da Foz. Adulta, voltei a essa praça e a última vez foi há já uns bons pares de anos, levada pela curiosidade pela atuação de cavaleira Ana Batista.
Isto não faz de mim uma aficcionada, nem tão pouco que tenha prazer no sofrimento do animal. Mais, penso que o toureio se devia adaptar por forma a evitar esse mesmo sofrimento.
E isto a propósito de eu descobrir que muita gente da minha geração,  muita mesmo, viveu caladinha toda a sua vida,  sem se revoltar contra as touradas e agora é vê-la em protestos de rua.
A quase-banalização da mulher assassinada pelo companheiro, ou da mulher que, juntamente com os filhos, é arrancada de sua casa e levada para uma casa-abrigo-esconderijo como se fora ela a criminosa, já não causa indignação, nem gera protestos de rua.



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