15.2.17

Aprendeu. Espero eu.

Ao fundo da minha cama, uma jovem médica, ainda em fase de aprendizagem, falava de costas para mim com a enfermeira. A conversa, pelo que fui escutando aqui e ali, nada tinha de sigiloso  : ela isto...ela aquilo, porque ela. Eu tinha espelhado na minha cara o desagrado que a situação me estava a causar e de que a enfermeira se apercebeu. 
A jovenzinha ia já a virar as costas sem um água-vai, quando eu, entre o simpática e o irónica,  disse:
- Senhora doutora?
- Sim? 
- Aqui a ela gostaria de estar a par de tudo o que se passa e como esteve sempre de costas para mim, fiquei "intrigada"(subtileza minha!)
- Ah...desculpe.
E um pouco corada, lá fez o ponto da situação. 
- Ah...muito obrigada! - respondi eu sorridente.
Ao longo destes onze longos dias,  e com dezenas de jovens médicos ( "visita guiadas " de turmas de alunos ☺), entrevistas para trabalhos de pesquisa, etc, este foi o único caso negativo. 
Espero ter contribuído um pouco para a formação humanista desta jovem . Os hospitais, e todas as instituições de saúde,  são locais  onde a fragilidade humana está muito presente e um bom técnico de saúde precisa de ir para além de saber o número da cama do doente.
De resto o Chuc é um hospital que presta um serviço médico fantástico e com uma vertente humanista muito evidente.

6 comentários:

  1. O que se passa contigo, Célia?
    Beijo

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  2. Os médicos (tenho-os na família e a alguns a trabalhar aí no CHUC) têm que ter uma sensibilidade muito especial.
    Não chegam os conhecimentos técnicos, é preciso mais.
    Votos de rápido restabelecimento.

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  3. Olá, António. Uns problemas que me atiraram, quase uma semana e meia, para o hospital. Daqui a uns tempos lá voltarei para uma intervenção cirúrgica.
    Neste momento está tudo controlado.
    Obrigada pelo teu cuidado.
    Beijo, A

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  4. Sim, Pedro, e há por ali tanta fragilidade...e cada vez há necessidade de um maior investimento na formação humanista dos técnicos de saúde. No curso de medicina penso que há apenas uma cadeira virada para as éticas, disseram-me. O que é obviamente pouco.
    Obrigada pelos seus votos, Pedro.
    Saudações

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  5. Antes demais, lamento que tenha tido uma passagem por um hospital. espero que não tenha sido algo grave.

    Mas vinha dizer que, de uma forma generalizada, a impressão que tenho é oposta à que descreveu. Julgo que a reputação de que goza aqueles que facultam formação a futuros-doutores é exatamente essa de prestar atenção ao paciente, acalmá-lo, tratá-lo pelo nome, etc. Como de resto deixa claro aqui no texto: foi um caso entre muitos.

    E sim, creio que ajuda. Talvez essa doutora acabe melhor que outros, porque é a falhar que se aprende mais depressa. E antes falhas dessas do que falhas em tratamentos e cirurgias ehehe. Aí não convém aprender pelo erro.

    Um forte abraço.

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  6. Olá, Portuguesinha
    Se bem me leu, eu não tenho nenhuma impressão negativa dos hospitais e em particular dos Chuc. Já há quase 3 anos estive nos cuidados intensivos de cardiologia durante uma semana e só tenho a dizer bem dos apoios dados aos doentes.
    No caso que referi e devido à minha maneira de ser e talvez por ter lidado com centenas de jovens alunos adultos, levou-me a agir e subtilmente ensinar a médica em potência que as pessoas não gostam de ser referidas por "ela" na sua presença.
    Foi mais uma reação pedagógica minha do que uma crítica pessoal.
    Estou bem neste momento, obrigada.
    Um abraço

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