29.1.17

A menina da lata

Na televisão passava a notícia sobre a Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, e o seu estado de degradação. Alunos, docentes e funcionários a tiritarem de frio, água a escorrer dos tetos e pelas paredes, caliça a cair e ameaças de aluímentos... E à imagem dos jovens todos agasalhados na sala de aula pensei como seria possível motivar a mente, o espírito, se o físico não estava confortável?
- Sabes que dantes nós levávamos umas latas com brasas para a escola primária ? Por acaso eu nunca levei...
- Mas levavam a lata como?
- A lata tinha de ter um arame comprido para ser transportada e sem que os meninos se queimassem. Depois aconteceu aquilo com a filha da ti Rosa, que era uns anitos mais velha do que eu,  e a partir dessa altura nunca mais os pais deixaram os filhos levarem as latas.
-  Mas essas latas com brasas na sala de aula não eram perigosas? Não queimavam demasiado oxigénio? 
- Acho que não, porque o ar, ou melhor, o frio entrava por todo o lado!
Isto acontecia na década de 50. Tempos difíceis.
A tal menina, vizinha dos meus sogros que até eram compadres dos pais, ia a caminho da escola com a lata das brasas que saltaram para a roupa, incendiando-a. Embora socorrida, a criança não sobreviveu às queimaduras. Foi um choque horrível, recorda o meu marido.
                                   (foto da internet)

26.1.17

O mundo é agora uma ervilha

Nos tempos de hoje, a difusão de uma notícia, ou acontecimento, demora quase o mesmo tempo a chegar ao outro lado do mundo, que demorava outrora a chegar ao outro lado do quarteirão.
O desenvolvimento célere das sofisticadas tecnologias de comunicação veio revolucionar o mundo: espaços e tempos encurtaram. O longe torna-se no vizinho do lado e o ontem simplesmente desapareceu. O aqui e o agora de tantos milhões de pessoas transformam o globo numa ervilha centrifugadora.
Esbateu-se praticamente a noção de década, tal é o impacto da globalização que, quase sem darmos conta, anula as nossas idiossincrasias e nos torna todos iguais. Ou a idolatrar, ou a odiar o mesmo que um cidadão  situado nos nossos antípodas.
Porém,  tem o seu lado positivo sempre que congrega as sociedades em torno de causas comuns  que impliquem o seu bem-estar.
Isto tudo a propósito do que ontem fiquei a saber. Assumo a minha ignorância que poderá justificar-se, avento eu, a três causas: superocupada a ser mãe, docente, dona de casa; a notícia,  há cerca de trinta anos, não teria sido difundida suficientemente; e, por último, alguma insensibilidade internacional face ao facto.
E qual o facto? 
A construção do muro entre os USA e o México para travar a imigração ilegal. O muro começou a ser erguido na era Bush, nos anos oitenta, e foi continuado por Clinton.
Isto isenta a atual responsabilidade de Trump, ou inibe as críticas a esta decisão? De modo nenhum. Mas faz-nos recentrar a narrativa.
Aqui.

                                         (Muro entre o México e os Estados Unidos da América)





24.1.17

Yolocaust

É um espaço que se impõe. O que mais nos prende a atenção é aquela sucessão de blocos enormes de cimento, pretos, de tamanhos diferentes e cuja disposição causa um certo desconforto visual. Um desconforto fisico como antecâmara do horror psicológico.
É o memorial dedicado aos seis milhões de judeus mortos pelo regime nazi. Ao holocausto.
Está situado no centro de Berlim, próximo das Portas de Brandenburg, do parque Tiergarten e Potsdamer Platz e numa área que fazia parte da "faixa da morte" junto ao muro de Berlim.
É supostamente um espaço de silêncios, onde somos confrontados com o que de mais medonho o ser humano pode mostrar.

Mas parece que não é.
Mais importante que avivar a memória do passado como forma de evitar reproduções no futuro, é congelar o momento da passagem por este local através de selfies sorridentes, boquinhas de bico de pato, poses e afins e mostrar aos amigos ou chapá-las nas redes sociais.

Por ter constatado este facto, o artista israelita Shahak Saphira lançou um projeto de arte, a que chamou Yolocaust, como protesto contra as selfies e o desrespeito pelo monumento. Um resultado fantástico.

Aqui

(Ao abrir o link, passe o dedo por cima das fotos e deslize)




20.1.17

O Brexit já está a dar um ar da sua graça

Ontem, uma familiar minha regressou a Londres, onde vive há cerca de um ano e meio.
No trajeto do comboio entre o aeroporto de Gatwick e a estação de Victoria, que demora cerca de meia hora, surgiram muitos polícias, simpáticos,  disse ela, que se dirigiram a todos os estrangeiros, fazendo-lhes várias perguntas.
A ela perguntaram-lhe o que tinha vindo fazer a Portugal, quanto tempo tinha demorado, onde vivia em Londres, qual a sua atividade profisional, etc. Isto recordou-lhe os USA, onde viveu uma temporada.
Começou o cerco.











18.1.17

Somos tão high tech!

"A tradicional caderneta, um símbolo da CGD, também vai sofrer com a atualização das comissões. A partir de maio, uma atualização deste documento no balcão do banco pode custar um euro. Uma medida que pretende incentivar a utilização de meios eletrónicos."

Incentivar a utilização de meios eletrónicos? Muito bem! Eu até uso muito, bastante, aliás, a caixa direta (online) e que acho prático, mas esta fúria modernaça dos banqueiros vai provocar graves danos a médio prazo:
A utilização de meios eletrónicos implica a diminuição drástica do número de funcionários,  os agora "colaboradores", situação visível  nas últimas décadas e, subsequentemente,  irá contribuir para a destruição de centenas de postos de trabalho.
Sem "humanos" a trabalhar e a fazer descontos, a pagar impostos, etc, que acontecerá com a Segurança  Social, e não só? !
Ou será que os patrões irão  pagar impostos por cada maquineta eletrónica,  por cada robot que usem nos seus serviços?
Se se sensibiliza as pessoas para uma espécie  de auto-atendimento, como explica a CGD o aumento de pagamento de serviços,  de anuidade dos cartões, etc?
Veja-se as gasolineiras: metes a gasolina, ficas com as mãos a cheirar mal ( eu fico logo enjoada! ), sais do carro e tal macaquinho amestrado, vais solicito pagar a uma caixa no interior do edifício.  Basta um "colaborador"! Mais valias? Zerinho! Pagas o combustível ao mesmo preço de uma gasolineira que dá emprego a pessoas que metem a gasolina no carro!
É a leitura do quadro da eletricidade...será o da água e saber-se-à lá o que mais há de vir.
Prestamos serviços, contribuímos para o despendimento de pessoas e, entretanto, os produtos continuam a aumentar.
De cara alegre, nós  achamos tudo isto o máximo!




12.1.17

Quiz

Quando "exit" é um êxito existencial mas que teima em existir. Em se revelar. 
E tudo isto rebela.
E tudo estiola silenciosamente.
Inexorável, o tempo corre e devora.
Cansaço.
Só 
(do iz not me iz you)

1.1.17

Dar vida?...

E o que é dar vida? Já pareço o Principezinho...


(Ando um pouco preguiçosa para escrever, mais até pela escolha dos temas que são bastantes. Ideias, palavras, palavras, ideias...e lá se vai a pica. Escrevi um texto a justificar esta notícia, mas que, ao tentar aumentar a letra, desapareceu...puffffsss...porque devo ter tocado numa porra qualquer!
Que se dane...sou, ou ando, desligada nestas coisas. Aliás,  nestas e noutras! Medo.)


Fogos regados a gasolina

Quando não  se tem cão,  caça-se com gato. E o tempo que não está de feição para atiçar fogos... Nanja por isso! Já o poeta bradava,...