17.12.16

Temos os filhos que Deus nos dá

Esta frase era dita aqui há umas dezenas de anos e víamos que Deus se fartava de dar muitos filhos sobretudo às famílias mais pobres. Com o avançar dos tempos, a vontade de Deus foi questionada e posta de lado e foi substituída por métodos contraceptivos.
Vem isto a propósito de algo que li, hoje, no suplemento do jornal Público sobre os rankings das escolas.
Mas antes de passar ao assunto, queria realçar que é relativamente fácil fazermos o perfil da população de uma determinada zona do país e, para isso, há vários instrumentos, parâmetros, diversificados que nos ajudam a obter um estudo sociológico. Sem metafísica. Sem interferência divina.
É tácito o papel da escola no combate ao obscurantismo, às trevas, porque o conhecimento é luz e é nela que se enriquecem as gerações futuras. Positiva ou negativamente, consoante a ideologia, a escola é uma das pedras basilares de qualquer sociedade.
Assim, à luz de quê, ou de quem, podemos nós perceber, ou melhor, aceitar que a diretora  do agrupamento de escolas n• 2 de Beja, Maria José Chagas, de que faz parte a secundária D. Manuel I, bem posicionada no ranking, tenha dito:
"Não fazemos milagres nem escolhas. Temos os alunos que Deus nos dá."
Neste país tudo parece resumir-se a uma questão de fé, de destino, de delegar em Deus todos os desígnios. Continuamos, despojados, à mercê de forças exógenas e alijar as nossas responsabilidades. Para o bem, ou para o mal. Ali em Beja, nada se conjuga por ação dos indivíduos, antes impera a vontade de Deus.
Sempre fiz, faço e farei questão de respeitar a fé de cada um, mas acho medonho que uma educadora se pronuncie nestes termos quase medievais.

É nesta mesma linha que Roma investiu agora os homens da igreja, gajos normais, do poder de dar o perdão "divino" às mulheres que praticaram abortos.
E aí vem o 2017. O centenário. O país vai pingar beatice.

2 comentários:

  1. Bom texto. Deus é desculpa para muita preguiça e incompetência.

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  2. Ou é Deus, ou é o destino! Não há volta a dar!

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