25.7.16

Barriga de aluguer

Só a expressão barriga de aluguer (barriga de substituição) me causa logo repulsa. Não encontro outra palavra que possa amenizar o que sinto quando se aborda este tipo de procriação.
Leis sobre o aborto, sobre o casamento entre homossexuais, sobre a adoção de crianças por homossexuais, e até sobre a eutanásia, que espero vir a ser aprovada, todas considero importantes porquanto promovem a dignidade e o bem-estar das pessoas.
Gerar um ser é um milagre da natureza. Ser mãe é uma experiência em que as palavras submergem pela força telúrica dos sentimentos. Das sensações.
O instinto maternal faz parte da natureza da mulher, embora haja algumas que não façam eco dele e cuja realização pessoal não passa pela maternidade.
Querer ser mãe é, pois, um desejo normal e lamento o sofrimento e a frustração por que passam tantas mulheres que não conseguem realizar esse sonho.
Hoje, mulheres sem útero, ou com lesão ou doença deste órgão e que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez podem recorrer à barriga de aluguer - quando uma mulher se propõe suportar uma gravidez por conta de outrem e a entregar a criança após o parto, renunciando aos poderes e deveres da maternidade.
Vivemos num tempo que nos faz acreditar em que tudo é possível e na ânsia da superação acabamos por tropeçar em questões éticas nem sempre fáceis de dirimir ou de lhes adaptar um enquadramento legal.
De um lado, temos uma mulher que não pode gerar filhos, situação diferente e, desculpem lá, bem menos grave do que se fosse cega, surda, muda ou com outra deficiência incapacitante. 
Do outro, uma mulher que empresta a barriga para gerar um bebé a partir de material genético de um casal, pais efetivos do feto.
Em troca de quê? De nada, só por puro altruísmo, assim prevê a lei, ainda em revisão. Receber dinheiro pelo "aluguer" mudaria alguma coisa? Seria chocante? E não será chocante desenvolver dentro de si um pequeno ser que, ao longo de 9 meses se vai ligando à "mãe" por laços invisíveis e que depois é largado em nome do tal altruísmo e do egoísmo de quem podia adotar uma criança?
A não ser uma familiar muito próxima do casal, não acredito que alguma mulher desconhecida disponibilize o útero para procriar, e que nem sempre é prazer,  em troca de nada. 
Desculpem a minha rudeza, mas altruísmo não paga contas.

                                   (foto da net)


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