19.6.16

Proxenetismo ideológico dos pasquins

A comunicação social continua na sua senda manipuladora e oportunista. Há uma sede indisfarçável para reduzir tudo a poeira.
Apesar de sentir alguma desilusão com algumas das atuais decisões políticas, não posso deixar de me encanitar com os media que, ou enviesam as leituras conscientemente, ou revelam graves lacunas a nível da hermenêutica. Por uma ou outra razão, ou por ambas, fica irremediavelmente comprometida a sua deontologia e, pior do que isso, o seu crédito e dignidade profissionais.
Cito dois casos recentes. Um que tem a ver com o discurso que António Costa fez em Paris, no dia 10 de junho, para individualidades do governo francês.
Apostado em melhorar e aumentar o ensino do Português em França - tão esquecido e maltratado e que, por isso, está na origem da proliferação de docentes e tradutores brasileiros o que redunda na descaraterização do Português europeu - o primeiro ministro considerou ser esta uma boa oportunidade para os professores da disciplina concorrerem.
Foi um deus que nos acuda, mais um a fazer apelo à emigração, que as outras disciplinas não contam, berram uns, que Costa e Coelho são farinha do mesmo saco, bradam outros! Etc! Uma babel.
Confundir e igualar as duas situações é uma javardice intelectual. O Coelho na altura até afirmou que o desemprego era uma oportunidade e houve um secretário qualquer que, no afã de mostrar trabalho, disse que iam criar mecanismos institucionais com outros países para "dar trabalho" aos portugueses.
O segundo caso: Centeno constata, algo que qualquer cidadão português elementarmente informado reconhece, que trabalhamos muito e por pouco dinheiro e será por isso mesmo que o executivo está a tomar medidas para que tantos portugueses descolem dos níveis assustadores de pobreza. Acrescento eu. Pressuroso e perspicaz, o quase-pasquim Dinheiro Vivo arremata: " Um remake da gafe de Manuel Pinho em 2007." Fazer a mesma leitura das duas situações, omitindo a sua contextualização, é proxenetismo ideológico.

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