29.4.16

Maria está in

E cada vez mais.
Na minha adolescência, e mais tarde ao longo dos anos, eu era olhada com espanto porque o Maria não fazia parte do meu nome. Numa geração nascida no após-guerra, e ainda no país de Salazar onde o Maria era associado a todas as santinhas virgens, ou não, eu era a aberração para uns,  e alvo de admiração para outros. Bem...refaça-se a frase: para umas...para outras, porque estas minudências borbulhavam apenas no mundo feminino.
Maria vai com as outras! É uma expressão bem conhecida e que considero infeliz. Ainda que possa visar um homem, traduz sobretudo um juízo pouco abonatório para as mulheres e o Maria será o epifenómeno.
Esta expressão significa que se trata de uma pessoa que não tem opinião, que segue o comando dos outros, que se deixa convencer com facilidade. Surgiu a partir de uma associação com Dona Maria, mãe de D. João VI. Enlouquecida e incapaz de governar, foi afastada do trono e só era vista quando saia para caminhar a pé, juntamente com as damas de companhia.
Ultimamente o Maria foi recuperado e passou a estar associado a nomes masculinos, ou isolado como nome de meninas. Desempoeirado e desenrugado,  tornou-se chique.
E o Maria anda por aí em força! No facebook tenho seis amigas Marias a que apensaram um apelido. Hesitei em aceitar inicialmente o pedido de amizade de algumas delas, porque um Maria seguido de um apelido menos habitual e sem foto definida deixaram-me à toa.
Na "bloga" a coisa repete-se. Há um espreitar sem se identificar, é como mostrar uma perna a sair de trás de um biombo.
Se estou a criticar? Claro que não! Quase que lamento não ser também uma Maria!

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