20.4.16

"Calem-se, por favor, mas de vez!" *

Aqui há anos tive uma turma do 12° ano composta maioritariamente por raparigas. Rapazes seriam uns cinco num total de vinte e cinco.
Por vezes, lá saltava uma brejeirice sobre a masculinização da gramática e eu dizia, a brincar, que 5 rapazes mais 20 raparigas implicaria o uso de elas e não eles!
O sururu que se levantou à volta da proposta do BE para alterar a designação do Cartão de Cidadāo para Cartão de Cidadania em defesa da paridade do género, deixou-me perplexa. Nas redes sociais a coisa tomou contornos delirantes por entre achincalhamentos e muita ignorância à mistura.

 "Há três anos, o PSD e o CDS, então com maioria no parlamento, deram entrada de um projeto de resolução. Na exposição de motivos do mesmo, lia-se: "É corrente na oralidade a utilização do substantivo masculino para integrar ambos os géneros, embora homem, com maiúscula ou minúscula, não esteja linguisticamente classificado como substantivo sobrecomum, e bem, já que se assim fosse materializaria um (pre)conceito correspondente a um estereótipo de discriminação de género."Tendo Luís Montenegro (então como agora líder da bancada social-democrata) como primeiro proponente, recomendava "a adoção por entidades públicas e privadas da expressão universalista para referenciar os direitos humanos", opondo-se à manutenção da expressão Direitos do Homem, que deverá ser substituída por "Direitos Humanos". " [Fernanda Câncio]

Este texto de  Isabel Casanova * traduz exatamente o que eu penso sobre a paridade de género na língua, mas, sobretudo, põe a nu os disparates que podem resultar da tentação de tomar tudo à letra.
                                          foto daqui]

2 comentários:

  1. A birra do BE tornou-se num caso que o não é.
    Mediatizar a coisa, dá um jeito do caraças. Estupidificá-la, ainda mais.

    Beijo, C.

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  2. Argueiros políticos nos olhos de muita gente...
    Somos uns contorcionistas natos!

    Beijo, A

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