25.5.14

Hoje há tapas e sangria…

O amor é lindo! Frase bonita. Será que sobrevive a vinte ou mais anos de diferença entre os amantes? Eis que volta à praça pública Manuel Maria Carrilho a fazer queixinhas da sua ex Bárbara. Acho que quer um, quer outro,  buscaram coisas diferentes em cada um deles. Ela ficou a ganhar porque ascendeu e até ficou com uma certa aura de “intelectualidade”.  Por osmose. Ele perdeu porque há campos onde a maioria dos homens, a partir de uma certa idade, perde batalhas. Mantinhas em cima dos joelhos não condizem com pica e glamour.
Perdem sobretudo as crianças que andam em bolandas nas cachas das revistas de cordel e pela boca de um senhor pai-avô que parece um pêndulo desgovernado a voar entre a intelectualidade e o vozerio de uma lota de peixe em dia de boa safra!

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Que pensar de alguém que, para esconder a sua falta de ética, falta de vergonha, opta por se armar em coitadinho? Não seria mais acertado que o senhor Berardo fosse frontal, fosse homem, ao invés de justificar o seu esquecimento devido a  ter saído da escola aos 13 anos e ser disléxico?
Ou seja: Berardo denunciou à PGR e ao Bdp alegadas irregularidades no BCP, designadamente sobre a utilização de offshores do banco para manipular o mercado através da compra de ações próprias. Confrontado com perguntas do Ministério Público, a criatura repetiu várias vezes que não se lembrava de nada. O que eu não percebi mesmo foi a ligação entre o facto de se sair cedo da escola, ser-se disléxico e sofrer de uma amnésia brutal e oportuna sobre as duas cartas e documentos comprovativos com denúncias, por ele enviadas em 2007, às entidades acima referidas.
Que violência! Optar por se mostrar gágá aos olhos de toda a gente! Tadinho, pá!


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Isto só acontece neste país-maravilha governado por gentinha de cócoras e que vive numa subserviência patológica perante o exterior.
O ministro da defesa da Tunísia, ao ser revistado, na zona Vip do aeroporto, fez disparar o detonador de metais e perante a insistência lógica do funcionário para o revistar, a proeminente figura recusou! Perdeu o avião! Pressuroso e aos saltinhos ( isto sou eu a imaginar porque o vi patético aos saltitos, de melena grisalha ao vento numa arruaça politiqueira!) logo veio o homólogo português, Aguiar Branco que colocou à disposição do fulano ( que se esteve nas tintas para a segurança nacional e pôs em causa as regras de um país estrangeiro) um Falcon que “nos” custou 27.500 euros para o levar até Tunes! Certamente o Branco até juntou um pedido de desculpas e instaurou um processo ao funcionário! E assim continuo, eu, tu e outro a viver acima das nossas possibilidades.


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Desculpem lá se isto fere a vossa sensibilidade, mas fico com cara de parva quando leio: “…seis reclusos transferidos do Estabelecimento Prisional da Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, anteontem,  vão apresentar uma queixa-crime contra a direção daquela cadeia, por terem sido mudados para a prisão de Paços de Ferreira sem qualquer aviso prévio.”
Concordo! Quando fizerem assaltos, roubarem bens, agredirem e matarem as pessoas, sobretudo os indefesos idosos, é bom que avisem previamente!
Não discuto as razões da mudança e sabemos que nem todos os presos são facínoras e monstros, mas isto lido à papo seco revolta-me!







(do Iz not...)

21.5.14

Homens que nunca foram meninos

Epifania de Soeiro Pereira Gomes presente na dedicatória (aos filhos destes homens) da sua obra maior “Esteiros”que delata as injustiças sociais precocemente vividas por crianças a quem é negada a infância, mas que nunca deixam de sonhar.
Recorro a esta frase do autor - paradigma de uma  corrente literária portuguesa que sempre exerceu sobre mim um fascínio especial: o neo-realismo -, para, metaforicamente,  me focar nos “políticos que nunca foram governo”, ainda que apenas para explorar o título, porque estes políticos nada têm que ver com aqueles homens.
Conhecendo nós o percurso político de Soeiro Pereira Gomes, será irónico usá-lo para criticar os principais partidos de esquerda, ou o que quer que isto signifique, quando ontem, tal como hoje, os vemos próximos de uma direita esclerosada e sinistramente cada vez mais conservadora.

Voltando ao famigerado PEC IV, o BE e a CDU, na política do “que se dane, perdido por cem, perdido por mil, há que incendiar tudo”, deram a mão à direita, que se babava à vista do poder, e assim estiveram na origem  da entrada imediata do FMI em Portugal. As medidas aí previstas, já draconianas,  agastaram o Passos Coelho que viu nelas o sacrifício horrível dos portugueses! Não, disse ele! As medidas políticas de contenção funcionaram em Espanha e Itália, mas aqui o “ tal consenso” tão apregoado pelo feicebucano presidente, falhou. E na procissão, o BE e a CDU seguraram no pálio enquanto entoavam ladainhas “Yes, prime minister”! O PEC IV até podia não resultar, mas hoje a dúvida permanece.
A seu tempo, o novel Coelho ultrapassou pela direita a e pela esquerda tudo o que o aterrorizou anteriormente, incapaz de suster a sangria e hoje a dívida está bem mais elevada do que há 3 anos.
O inenarrável Catroga, a 02/Maio/2011, disse que as medidas negociadas pelo PSD eram melhores e iam mais fundo do que as propostas no PEC IV, chumbado dois meses antes. A ideia de que o PSD terá mesmo abraçado o memorando como se fosse seu é mais tarde explicitada por Passos Coelho quando disse que "o programa da troika é o nosso programa e queremos mesmo ir além dele".
O sujeito destronou o tal Pinóquio cuja fama já faz parte dos contos e novelas do nosso contentamento. Ou seja, à narrativa permanentemente revista e ficcionada do Pinóquio, irá juntar-se outra personagem que, além de ser mais mentirosa, perdeu os beiços de tanto os morder numa espécie de automutilação. Nunca mais foi o mesmo.

Voltando aos outros partidos, sobretudo BE e CDU…é elementar saber, e normal, diria, que tentem convencer eleitores da área do PS para a sua causa, mas será desta forma acintosa e às cavalitas de uma direita troliteira que o conseguem? Será que estas forças políticas não se dão conta que seguem a mesma linha dos tais que nos espoliaram dos elementares direitos sociais? É evidente que sentem a necessidade de se demarcarem do PS e, pessoalmente, entendo isso, mas seguir as pegadas dos outros, feitas de mentiras? Será que não se apercebem que, embora possam ganhar eleitores, vão emagrecer fileiras e, desta forma  favorecer a direita?
A parelha beta , a da Aliança Portugal ( designação sinistra…)enche a boca com o Sócrates  e regozija-se quando ouve um João Ferreira dizer: Eleições europeias? Muito giro, mas não esquecer o Sócrates!
 Este João, rapaz garboso, (ah… é da CDU!) já apresenta sintomas de senilidade porque só tem memória das coisas passadas, isto é, rejeita comentar as 80 propostas de Seguro e responde: “"Nós sabemos o que valem as promessas em campanha eleitoral", lamentou o eurodeputado, recuperando palavras do ex-primeiro-ministro socialista, que em 2005 garantira que, caso chegasse ao Governo, iria criar 150 mil postos de trabalho. Em contraponto, assinalou João Ferreira, "deixou mais 250 mil desempregados no País" quando abandonou o Executivo.”
Cadê os outros, hein?!
E o governo actual? Tudo o que prometeu cumpriu, não foi? Lamento, mas não me recordo do teu amigo Passos ter “prometido” cerca de 800 mil desempregados! Eh, pá, a coisa  triplicou…andará por aí alguma paixão platónica que justifique tamanha cegueira?  Tens razão, os outros, os da A.P, nada prometem, só falam de Sócrates…
O que mais abomino no ser humano é a desonestidade intelectual e vê-la num  político, o putativo guardião da  res publica, é algo de medonho.

Esta gente terá medo de quê? Que terá Sócrates que os torna histéricos em frente dos microfones e jornalistas? Só tememos alguém quando o temos em elevada consideração e sabemos que a sua força é igual ou superior à nossa.

A direita agradece. Não se discute a Europa. Mais importante é discutir Sócrates. Entretanto os partidos da extrema-direita europeia continuam na sua escalada imparável.





18.5.14

Entre trilhos e estrilhos

Faço uma caminhada diária de cerca de 1 hora e 20 minutos. Afora esta, alinho em muitas outras organizadas pelas várias associações recreativas e culturais que abundam no concelho. Tal como as rotundas e aquelas fontes monumentais a esguichar cortinas de água, que qualquer vila decente leva muito a peito e gosta de se chegar à frente, assim são as associações e muitas delas ligadas a freguesias com cerca de três centenas, ou pouco mais, de habitantes.
Aqui há uns anos iam construindo as suas sedes com o recurso a peditórios e algumas delas demoraram anos. O que sabemos é que qualquer habitante vive orgulhoso da sua associação e faz dela a sua sala de visitas coletiva
Com a construção de outra coqueluche, que são os Centros Educativos, passaram a  sobrar os edifícios das antigas escolas primárias, algumas  situadas em locais fantásticos e feitas de granito e que podiam ser aproveitados para atividades sociais. Com os edifícios vazios e em ótimo estado de conservação, há que repensar a sua utilidade. Algumas já são sedes de  teatros, ranchos folclóricos, escuteiros, etc, notando-se, no entanto,  a par das associações, uma duplicação de espaços. Aqui parece que a necessidade deu em fartura.

8.30. Concentração. Cerca de sessenta pessoas. E lá fomos nós.
Já segui por muitos trilhos, já subi e desci montes e vales, paisagens de pasmar, ou não estivéssemos numa das zonas mais arborizadas do país e com um enorme lençol de água.
Hoje foi diferente. Foi um desafio com algum risco: seguir um trilho que seria mais para cabras do que para pessoas. Ao longo do riacho de águas límpidas, semicobertas por fetos gigantescos, havia grandes tufos de murta e outros arbustos que não soube identificar,  pedras de xisto perigosamente inclinadas, emaranhado de troncos, folhas…cada passo em frente era um desafio ainda maior! O som da água a saltitar, aquela penumbra verde da vegetação, o ar frio que nos invadia os pulmões...sensações fantásticas.
Depois de muita  galhofa, de uns valentes sustos e de uns quantos arranhões nas pernas ( eu, que fui de calções!) e nos braços, chegámos a uma cachoeira! As águas caíam do alto pela vegetação abaixo até a um lago ladeado por lajetas naturais de xisto. Esta seria a queda de água mais baixa, porque o pessoal mais ousado atreveu-se a trepar à segunda queda, desistindo de atingir a terceira e mais alta cascata de todas.
Fizemos o regresso, mas agora pelo estradão que ladeia o riacho.
Fomos almoçar exatamente  numa escola desativada e agora aproveitada para estas iniciativas. Os organizadores carregaram toda a “logística” que estava no ponto. Destaco o caldo verde que me caiu verdadeiramente no goto.

No recreio há duas enormes cerejeiras que, indiferentes ao ermo do espaço, insistem em dar fruto, mas debaixo de um grande castanheiro, de um azul esbatido e ar de abandono, resta um baloiço como testemunha muda dos meninos que ali começaram a descobrir o mundo.









12.5.14

Fragmentos de viagem

No exterior, a temperatura rondava os 40 graus.
Entrei de rompante no imenso hall do aparthotel. Outro mundo!
À abençoada frescura do ambiente juntavam-se normalmente vários grupos de famílias, quase sempre com uma prole de fazer inveja aos ocidentais. De pé, ou sentadas naquele feérico e confortável lounge, eles e elas de longas vestes, brancas e pretas respetivamente, empunhavam smartphones de última geração. Algumas levantavam um pouco o hijab, que lhes pendia até ao meio do peito, e metiam o telemóvel por baixo do pano para o consultar. Sentadas, entrevia-se roupa de grife por baixo da abaya.
Porém, hoje, ao entrar, mal olhei e dirigi-me a um dos elevadores cuja porta alguém mantinha aberta à minha espera. Entrei, agradeci e carreguei no 35º andar. Para 15 andares mais acima, ia uma família estranha aos nosso olhos ocidentais: um homem claramente sub30, com as suas quatro mulheres e uma delas com um puto de uns 3 ou 4 anos pela mão. Apenas lhes via os olhos, mas o suficiente para as saber jovens.
Cheguei ao meu destino  e, na despedida, murmurei um Salam. Só ele me respondeu, julgo eu, e com um sorriso de olhos-ferrugem.

Entrei no apartamento com ideias do tipo sei lá…como será a relação física e emocional entre estas cinco pessoas? Uma coisa eu sei, só um homem muito rico pode ter estas quatro esposas! Rico e…isso, com uma grande estaleca! 


6.5.14

Ainda os exames de inglês nas escolas públicas portuguesas


Sob a égide da universidade de Oxford, coisa titilante no nosso mundinho lusitano, e sobre a estendida e humilhante passadeira vermelha do ministério da educação, lá foram fazer exame de inglês os alunos portugueses que, doravante, serão uns autênticos  “cockney accent´s speakers”!
Com todo o rigor dos exames nacionais, as escolas suspenderam as aulas, os recreios emudeceram e até desconfio que os procedimentos ultrapassaram a norma 02!
Eis que o rei vai nu: os alunos tinham de escrever em letras maiúsculas – vício combatido pelos professores e que nos exames nacionais é contemplado com descontos na cotação das perguntas. Vêm agora os ingleses numa de qual quê… têm de escrever assim e mais nada! Nem sei se, no início ou no final do exame, os alunos tiveram de fazer a conhecida saudação: God save the queen!
A minha mente parece uma tômbola onde rodam e chocam o mapa cor-de-rosa, o Lord Salisbury e a escandaleira do ultimato britânico, a humilhação de Portugal…e, em caleidoscópio, as vezes que ao longo da história fomos sempre “bandarilhados” por esta potência que devia achar que éramos um protetorado seu.
No século XXI, o ministro da educação abre-se todo às exigências de uma instituição privada estrangeira que, inopinadamente, atropela as decisões estipuladas pelo ministério e a aplicar nas escolas portuguesas. E tudo isto para quê? Julgo ter resposta para tão prosaica pergunta: temem não conseguir descodificar a letra dos alunos.
Mas o aspecto mais surrealista é o dos alunos escreverem a lápis (não uns chungas quaisquer, mas HB e não sei mais o quê) e ASSINAREM o seu nome igualmente a lápis!
Deverá haver, por certo, uma explicação ( penso eu, crédula!), e até poderei estar a incorrer nalguma demagogia, mas à luz dos mais elementares princípios a respeitar num documento unipessoal, subjetivo - uma prova de avaliação - para cuja elaboração foram definidos critérios de rigor, não se entende como os exames possam andar de mão em mão e passíveis de sofrerem alterações ou até mudarem de dono.
Há, a meu ver, ainda muitas perguntas sobre estes exames nebulosos que ficarão sem resposta.
Lamento que, em muitos aspetos, o meu país continue a trabalhar em seco, isto é, que se entregue a um-faz-de-conta-que, gaste fazendas e energias e os resultados sejam nulos.

Fogos regados a gasolina

Quando não  se tem cão,  caça-se com gato. E o tempo que não está de feição para atiçar fogos... Nanja por isso! Já o poeta bradava,...