31.10.13

As máscaras vão caindo e os caninos alongam-se

"Essa oportunidade significa uma verdadeira devolução da escola aos seus professores e garante à sociedade poder escolher projetos de escola mais nítidos e diferenciados;" (p. 73 do guião)


Amiguinhos… devolver a escola aos professores não é isto. A menos que subitamente se tenham tornado colectivistas defensores de cooperativa ou da recuperação do modelo colegial da gestão democrática das escolas. Para isso bastaria “abrirem” a legislação sobre administração escolar a outras vias dentro da rede pública.
O que isto significa, embora não sendo assumido, é a porta de entrada para a alienação dos estabelecimentos públicos de ensino e a entrada de grupos económicos privados a gestão directa da rede pública, usando um “grupo de professores” como testas de ferro, pois dificilmente um verdadeiro “grupo de professores” tem actualmente meios e a possibilidade real de estabelecer um contrato com o Estado sem ter a personalidade jurídica de uma cooperativa ou empresa, ou seja, aquilo que já existe no terreno, pois os grupos que gerem a maioria dos colégios privados são exactamente organizados em forma de cooperativa, empresa ou sociedade anónima.
Estão a perceber o desenho?
Um “grupo de professores” é subitamente seduzido pelo empreendedorismo e propõe-se contratualizar a gestão de uma escola pública? A sério? E o Estado acede e faz o contrato, assim sem mais, nem menos. E a “comunidade educativa” e o Conselho Geral têm palavra a dizer no processo? Ou também serão seduzidos pelas contrapartidas da “independência”?
Deixemo-nos de véus… esta foi a fórmula encontrada para disfarçar a privatização directa da gestão das escolas públicas.


26.10.13

Homem velho, mulher nova…

Não me considero uma sibila, ou, no mais tucátulá, uma má língua. O que eu sinto sobre o que me rodeia terá mais que ver com a chegada àquela idade que nos permite ajuizar sobre situações de vida,  quando  algumas  das suas fitas já nos passaram demasiadas vezes diante do nariz.
Fiz parte de uma jovem geração que não só defendia a liberdade das opções individuais, como até se batia para que os outros tivessem a sua ainda que não comungasse dos mesmos ideais. Acreditem que não seria agora que iria  transformar-me numa mulher retrógrada, conservadora e amarga.
Esta ressalva para justificar que nada me move contra os casais que juntam os trapos e com vinte e muitos anos de diferença entre eles. Só que os mais velhos carregam demasiada mobília para caber naquilo que se queria ser o amor e uma cabana. Está visto que as tralhas do passado chocam com as fantasias e os sonhos que atiram tudo para o futuro. Uns porque querem a mantinha caseira em cima dos joelhos, outros porque preferem o barulho dos holofotes nos palcos das ribaltas, ou das discotecas.
Depois eu  acho que um ventre liso a espreitar debaixo da camisolita atirada displicentemente sobre o corpo, dificilmente combina com uma cintura já adiposa por força da passagem dos anos, ou com os ossos que estalam ao mínimo movimento. E aqui, que ninguém nos ouve, os homens perdem algumas daquela capacidades  que os faziam sentir donos de quase tudo. Isso mói. E dói, dizem alguns, porque a maioria nem se dá conta, ou faz que não dá.
Pobres cinquentões que buscam nas trintinhas o seu talismã de tesão! Na tentativa idiota de por à prova a sua virilidade, há homens que, cegos, mergulham de cabeça nalgumas relações. Aliás, o espaço entre sair de uma e atirar-se para outra é inexplicável. Ou nem por isso.


Haverá excepções nestas uniões fulminantes, certo, mas quase diria que por detrás desse sucesso há explicações de natureza diversa.
Assimvai o nosso país liliputiano que alinha nos seus telejornais a notícia da separação do ex-ministro da cultura, António Maria Carrilho, e da Bárbara Guimarães, apresentadora de tv! Este casal é um dos exemplos do que referi anteriormente. Um casal que, por força da diferença de idades, necessita de ‘pasto’ diferenciado. Eis a barrela! (*)
“Homem velho e mulher nova são filhos até a cova”. Pais-avôs, avôs-pais e muitas crianças órfãs de pai aos vinte anos ou menos. Recordo, por exemplo,  o recém falecido Urbano Tavares Rodrigues, que aos 89 anos deixou um filho de apenas 7(***). É positivo o nascimento de crianças, mas nestas circunstâncias…
O que me dói, enquanto mulher, é ver que a maioria desta raça de mulheres faz de alguns destes fulanos - em crise de andropausa e com uma auto estima física esfrangalhada -,  umescadote para atingir algo…

É a realidade.



24.10.13

E desabafa o hipopótamo, fazendo boquinha: o crocodilo é um bocarras.

Assim é Miguel Sousa Tavares ao criticar a linguagem desbragada usada por José Sócrates numa entrevista publicada na Revista do Jornal Expresso.
A linguagem deste comentador troglodita,  cuja arrogância e pedantismo de tudólogo já lhe sulcarao rosto de esgares, chamou palhaço ao PR mas agora vem muito virginal e beato, de mão nas beiças, num ai Jesus aqui d’el rei que  Sócrates, não senhor e coiso e tal, fica sem perfil para se candidatar futuramente a PR.

Não defendo Sócrates, mas critico este comentador de serviço: tanta asneira que vomita e mesmo assim acha-se acima de qualquer suspeita.

                                                     (Foto da internet)

8.10.13

…bora ser feliz!

Li aquela frase e sorri.
Encontro nas coisas simples uma sensação de realização cada vez maior. Nem sei ao certo se lhe chame realização, sei apenas que é algo que me invade de mansinho e me relaxa em forma de sorrisos concêntricos, como o efeito produzido por uma pedrinha atirada ao lago por uma criança.
Naquilo que me chega pela via das sensações, vejo-me, ultimamente, a procurar aquele lado esquecido, o simples, o da penumbra, o do detalhe ignorado.
Esmiuçar puzzles cansa. Satura.
O que parece ser uma contradição.
Não é.
Não me ficando apenas pela espuma das coisas e no propósito natural da aprendizagem, evito, no entanto, os porquês que estimulam a razão, mas abalam a emoção, roubam alentos.
Platão, lá do fundo dos tempos, diz que uma vida não questionada não merece ser vivida.
Questionar, sabemos, é abrir a porta para o desconhecido. Não será isto que ponho em causa, isto é, dúvidas existenciais, o que eu renego é olharmos as coisas e criarmos uma teia de suposições, leituras, em suma, ficções que extravasam a realidade, tornando-a pesada. A vida, naquilo que está ao nosso alcance, não tem que ser um fardo para realmente ser vivida.
Descompliquemos.
Aquele “bora ser feliz…” é a simplicidade de um convite.
Irresistível.




3.10.13

E o outono entrou devagar

iz not me iz you[Your naked body should only belong to those who fall in love with your naked soul. -> C. Chaplin]


. falas demasiado com as mãos
. isso é uma crítica?
. não. olho para as tuas mãos e..
….e quê?
. deixo de olhar para os teus olhos.
. oh…nem acho os meus olhos lá muito bonitos!
. não me refiro a essa beleza.
. mas…
. só os teus olhos me sussurram as palavras que busco.

Sorriram e entrelaçaram os dedos. As folhas ruivas das árvores dançavam em pontas por cima das mesas e cadeiras orvalhadas da esplanada vazia. No horizonte surgiu um arco-íris que lhes sorriu. 


A todos os amantes

Lamechas q.b., mas que sabe tão bem!
Estes dias chuvosos e um país exaurido e em ressaca política atiram-nos para um qualquer sofá a jeito e, enrolados em alguém ou em alguma coisa, a escutar este senhor...







Fogos regados a gasolina

Quando não  se tem cão,  caça-se com gato. E o tempo que não está de feição para atiçar fogos... Nanja por isso! Já o poeta bradava,...