29.7.13

Quem vem jantar a casa? *

O que se está a passar, neste preciso momento, nas escolas portuguesas é o seguinte: a 31 de julho, quarta-feira, devem ser publicadas as turmas; logo de seguida, comunicado o número de professores necessários em função das necessidades. Agosto. Concurso de professores para lá, concursos de professores para cá, fazer horários… em setembro tem de estar tudo pronto para o arranque. Está sempre tudo pronto para o arranque, as escolas fazem por isso. O Ministério não. E este ano aprimorou-se: a 26 de julho, sexta-feira, fim da tarde, indicou o número de turmas/cursos que autoriza sejam abertos em cada escola. Não, não são as escolas que decidem, em função do número de matrículas vs. espaço. E, convém frisar, em junho, há as chamadas reuniões de rede escolar, em que as escolas se sentam à mesa com a tutela e se discute esta organização/distribuição.

Mas, nesta sexta-feira dia 26, quando muitas escolas já tinham as turmas praticamente feitas, quando publicitaram as suas ofertas formativas, quando contactaram pais e alunos para regularizarem este ou aquele pormenor ou para lhes indicar que aquele curso/disciplina não iria existir na escola, informando das alternativas, enfim, quando tinham esse trabalho praticamente feito, o Ministério, através de um dos seus organismos, publicou a lista de cursos/turmas autorizados(as) para cada escola/agrupamento e lançou o caos: mudou as ofertas dos cursos profissionais, reduziu o número de turmas em várias escolas, eliminou turmas CEF com alunos inscritos, enfim, queimou o jantar pouco antes de ser posto à mesa. E fez algo mais fantástico, fê-lo em cima do acontecimento. Imagine-se o leitor em sua casa e dizem-lhe para convidar vinte pessoas para jantar: a comida será da responsabilidade de uma empresa de confiança. Manda convites atempadamente, publicita o evento convenientemente, prepara a sala com cuidado, prepara a mesa, recebe os convidados… e depois trazem-lhe duas coxas de frango para o jantar.
É assim que o Ministério tratou as escolas, as direções, os alunos. São inúmeros os casos relatados em inúmeras escolas, que se começam agora a conhecer: em várias escolas, o número de turmas autorizadas está abaixo das necessárias para o número REAL de alunos matriculados (que se faz aos restantes?); há cursos profissionais com anos de existência numa localidade, com vinte e muitos alunos inscritos, que são apagados e substituídos por outros cursos que nem sequer tinham sido discutidos, menos ainda comunicados ao público, há alunos que deveriam seguir um curso de educação formação e terão de ficar no ensino regular… e quem é que vai passar por incompetente? Quem é que vai ter que dar a cara para dar o dito por não dito? Quem vê todo o seu trabalho, um trabalho sério que merece respeito, deitado ao lixo? A três dias úteis do fim de julho?...

E é nestas condições que se trabalha nas escolas. Surpreendentemente (ou nem tanto assim, quando o interesse do poder é esse) a maioria dos portugueses desconhece esta realidade. Apesar de, direta ou indiretamente, ser parte interessada : quem não tem familiares nas escolas? ou vai ter? já para não falar do tão propalado "interesse nacional" da Educação... A maioria dos portugueses ouve o discurso dos políticos na TV, sérios e convictos, e cria uma imagem. Nuno Crato, por exemplo. Tão credível... Possivelmente, até acredita nele quando ouve coisas como "liberdade de escolha" e "mérito" e “superior interesse dos alunos” e “estamos a trabalhar para”. Pois é este o tipo de trabalho que estão a fazer: em cima do joelho, passando por cima do trabalho feito nas escolas e do “superior interesse dos alunos”, que só interessa para enfeitar discursos “politicamente corretos”. Para quem conhece a realidade, para quem vive a e na escola, este tipo de discurso é de um cinismo, de uma falta de ética, de verdade, de seriedade que ENOJA!

E isto será, mais uma vez, e à semelhança de tantas e tantas outras ocorrências, com este e com os outros governos dos últimos anos, um episódio. E este episódio faz tão pouco sentido que não pode dar em nada. As turmas terão de abrir, de acordo com o número REAL de alunos que existe no nosso país, nas respetivas localidades. Mas é o suficiente para, em finais de julho, com tanto para fazer para que tudo arranque em setembro, causar mais desgaste, mais confusão. Para, MAIS UMA VEZ, aparecerem as parangonas nos jornais e televisões e as pessoas pensarem... "lá estão os professores a queixar-se outra vez!!!". Pois, já alguma vez pensaram que os professores PODEM ATÉ TER RAZÃO?!?!?

... que bem estaríamos todos se, em todos os anos, há anos, não fosse este circo anual em que tudo muda menos a incompetência!...


Pois é, meus amigos, confiem nas palavras mansas destes governantes, confiem... quem está, como eu, no mesmo barco e conhece a verdade, a REALIDADE, vomita ao ouvi-los. Depois ainda há quem pense que é má vontade minha...

* por Fátima Inácio Gomes, em 29.07.13

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Bora exigir um exame prévio para aceder à "profissão" de político, acrescento eu, já fora do circo.

18.7.13

Do meu baú 1.

Ao longo da minha vida profissional, fui coleccionando respostas que os alunos davam, quer nos testes, quer nos Exames Nacionais que corrigi durante 16 anos. Algures, na casa da minha mãe andará por lá esquecido um caderno, de capas castanhas, com muitas outras respostas hilariantes.
O que me espantava, muitas vezes, e de forma positiva, era quando a imaginação e a criatividade estendiam o seu manto diáfano sobre a crua ignorância.
E esta tarefa, acreditem, não é para qualquer um.

“Quando Fernando Pessoa estava a morrer, mesmo, mesmo já moribundo, deixou esta Mensagem.”

“Antero de Quental utiliza também o ponto de terminação apenas no fim do poema.”




10.7.13

Cada cavadela, cada minhoca…até à derrocada final!

1. “Adormeceu, despistou-se e morreu ao lado da filha” ( in Jornal de Notícias, 09/07/2013)

2. “ Prova mais acessível do que o primeiro” ( in Jornal de Notícias, 10/07/2013)

Estas duas frases são ambas leads * de notícias. Que se passa com certos jornalistas? Nem alunos do 12º ano escreveriam desta forma!

Na primeira frase, o sujeito dos verbos é o mesmo! Quando afinal foi a filha que adormeceu e se despistou e do acidente resultou a morte da mãe que ia a seu lado.

Na segunda frase, um erro crasso de concordância! Seria “do que a primeira”!

Como pode a comunicação social ser um paradigma da escrita neste país que parece andar à deriva? Ou melhor: como podemos confiar nestes aprendizes?


* lead: primeira parte da notícia e que deve captar a atenção do leitor.

6.7.13

O calor puxa-me para a idiotice!



                    Fetiches à parte, que acham os homens destas garras? Gostam mesmo?!


                       E que acham as mulheres de homens sem um pelinho para amostra?!

É evidente que estas perguntas, apesar de serem dirigidas ao menino e à menina,…podem ser respondidas por qualquer um ou uma.
 
Quanto às unhas, acho-as horríveis!!!
Homem macaco, não! Mas frango…?!... muito menos! 


3.7.13

Estou?!


Estendida no sofá, sinto-me leve e a voar num espaço banhado por uma luz intensa. Sei que estou a mergulhar naquele soninho bom do início da tarde.
Som quase estridente. Estendo um braço preguiçoso:
...estou?
…estou, sim?!
…Ah…está? Então muito prazer..
Quem fala?
…com licença.
Desliguei.
Uma vez mais me perguntei sobre este hábito estranho, eufemisticamente falando, porque o considero  rude, em ligar para casa de alguém a informar estupidamente que “está” e nesta invasão ainda se dar ao luxo de perguntar quem fala.

Ainda pensei que, embora esporadicamente, andasse a cruzar-me com pessoas desprovidas de bom senso, mas, afinal, em telenovelas portuguesas e noutros programas ao vivo das tv’s este procedimento é igualmente reproduzido o que me leva a concluir que quem anda em contramão sou eu.
Pode?!




Fogos regados a gasolina

Quando não  se tem cão,  caça-se com gato. E o tempo que não está de feição para atiçar fogos... Nanja por isso! Já o poeta bradava,...