18.6.13

Estremeci...

...ao voltar a escutar o Francisco Fanhais. Recuei aos meus 17 anos, ao Teatro Gil Vicente, Coimbra. O então "padre" Fanhais a encher o auditório com a sua potente mensagem. Recordo uma rosa vermelha que ele tinha na mão e dizer: arrancamos as pétalas, esmagamos a flor, deitamo-la fora...cheiramos as mãos e elas cheiram a rosas.
Recordo os gajos de óculos postados ao fundo que descaradamente marcavam a sua presença de esbirros.
Recordo, miúda do liceu, ter sido seguida posteriormente até à porta de casa, numa rua sobranceira à Praça da República, por um bufo pidesco só porque eu tinha estado num grupo que ousou comentar a situação opressiva do país. Eu era uma espécie de mascote do grupo que frequentava já a Universidade e cedo mergulhei no protesto ...por isso me assusto com a falta de rebuço de uns canalhas impreparados que governam o país, sem noção dos limites do reduto das liberdades que fazem dos homens homens e os distinguem dos animais.

                           Vem, vamos embora
                          Que esperar não é saber
                          Quem sabe faz a hora
                          Não espera acontecer


2 comentários:

  1. Francisco Fanhais era um 'intervencionista' nato. Smpre com uma postura oposicionista radical.

    Foi em 1969 que Fanhais 'apareceu', graças ao programa televisivo 'Zip-Zip', de Carlos Cruz, Zé Fialho Gouveia e Raúl Solnado.

    Baseado em poemas de Sophia de Mello Breyner, trabalhou um dos seus melhores trabalhos.

    E esses tempos de Coimbra, com a PIDE sempre de olho e ouvido abertos...

    Beijo, L.

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  2. ...hoje sinto que vivi intensamente ...sobretudo a fugir à polícia no meio de um tiroteio na praça da República , ou a levar com o cassetête nas costas, na antiga pastelaria marques da aven. Sá da Bandeira, que me atirou ao chão...ainda liceal mas a reboque dos estudantes "grandes"...eheheh

    Havia causas, havia sonhos de mudança, havia tanta coisa...sinto orgulho de ter vivenciado esses tempos. Agora vejo valores conquistados a desmoronarem-se, porém quero acreditar que a história vai seguir em frente!

    Beijo, A.

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