27.6.13

Entre a AnyBook e a Princesa e a Ervilha

Os avanços tecnológicos apanham-nos sempre desprevenidos, sobretudo quando pensamos que pouco mais nos poderá espantar. É quase aflitiva esta urgência no aparecimento de gadgets que nos levam a andar de boquinha em forma, quase permanente,  de um O redondinho. .
Agora chegou a vez da AnyBook! Talvez já conheçam e aqui estou eu a fazer papel de tonta. Paciência, assumo.

AnyBook, de seu nome, é uma reading pen que possibilita a crianças a partir dos três anos, uma experiência de leitura original. Os movimentos da AnyBook. nas páginas de qualquer livro, revista ou jornal são acompanhados por voz.

Se, por um lado, fico maravilhada com esta possibilidade de leitura e com todo o processo que ela implica, por outro lado, o meu lado telúrico leva-me a fazer uma travagem a fundo.

Reparem que isto suplantou a audição de cd’s que acompanham livros de gravuras. Aqui é a criancinha que se passeia por cima das letras que “parecem falar”.
Pais exauridos após um dia de jorna vão continuar a contar/ler a historinha aos filhos a embalar-lhes o sono e os sonhos? Ou optam pela tal AnyBook?
Que experiência a nível da estruturação de ideias para crianças curiosas que saltitam com a caneta de linha em linha?
A curiosidade pelas letras - o seu reconhecimento e escrita -  não será subvertida por uma espécie de preguiça física e mental?

Penso que aos pais é acrescida uma maior responsabilidade: saber intermediar e dosear o uso desta caneta  junto das criancinhas.

Contem-lhes histórias, inventem-nas ou, então, leiam-lhas. É importante que as vozes dos pais façam parte da memória emocional  dos seus filhos.


Momentos únicos e irrepetíveis.



4 comentários:

  1. A evolução tem destas aberrações.

    Com esta frase, a Lia diz tudo:

    "Contem-lhes histórias, inventem-nas ou, então, leiam-lhas. É importante que as vozes dos pais façam parte da memória emocional dos seus filhos."

    Beijo, L

    ResponderEliminar
  2. Assim devia ser, caro António, só que as sociedades escravizam os povos em nome dos PIB's e cada vez menos tempo vai restando para o saudável convívio no seio das famílias. Pregam-nos o "ser", mas elegem o "ter".

    Beijo, A

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que vou arranjar forma de 'renascer'.
      Quem sabe, não viria equipado com um livro de instruções para meu governo?

      Beijo, L

      Eliminar

Conte...