25.6.17

22.6.17

Os escribas Pegadores

Aqui há uns tempos, já andava fartinha do senhor que comentava as minhas publicações no FB escrevendo lençóis e, a partir do meu tema, encadeava assuntos do arco da velha. Os sucessivos comentários dele "puxavam" comentários de outras pessoas e eu a vê-los passar. Uma das vezes chamei-lhe a atenção para o facto de os seus comentários já nada terem a ver com o tema da minha publicação e ele respondeu...ah, pois não! Mas apeteceu-me!
Resolvi pôr um ponto final. E como?
Através de uma rubrica que tenho no FB, Irritacões #. E aí, de forma irónica,  critiquei as pessoas que nunca publicam nada na sua página, tal como as que usam nicknames sem criar blog próprio, mas que se esvaem a escrever longos textos em blogues alheios e, muitos deles, marginais aos textos do/a blogger. Ninguém lhes conhece um ponto de vista inicial, uma crítica de iniciativa própria sobre o que quer que seja, um tema-pontapé de saída. Nadinha.
Alguns destes escribas fazem-me lembrar os Pegadores, do Sermão de Santo António  aos Peixes, de Padre António Vieira, peixes parasitas que vivem agarrados a outros peixes maiores,  tubarões,  por exemplo, e caso o hospedeiro morra, o parasita não sobrevive.

O homem percebeu a mensagem. Nunca mais desovou na minha página.




21.6.17

Mui muito m'espanto

Apresentei o pedido de revalidação da minha carta de condução no dia 29 de maio último e eis que me chega pelos correios, hoje, dia 21 de junho, a nova carta.
Um espanto!
Demorou menos de um mês!
Claro que o evento foi logo assinalado na minha  rubrica Elogios # do FB.
Assim sim!

20.6.17

Fogo! E os comentários?

Palavras de um amigo meu que tem "floresta" e sabe bem do que fala. E eu também conheço essa realidade porque vivemos numa das maiores manchas florestais do país  e sem fogos. A prevenção e a conservação da nossa floresta resultam de ações concertadas entre as várias entidades locais.
Leiamo-lo!

"A floresta, tal como existe, com produção intensiva num clima mediterrânico, só tem uma solução: ou é reprodutiva e como tal, é humanizada e está mais contro lada em termos de ignição e propagação, ou pura e simplesmente arde, pelo abandono e consequente aumento brutal da carga combustível.
Iria mesmo mais longe. A litoralização do País, com o abandono das zonas rurais, transformou zonas agrícolas em floresta quase selvagem. A produção desordenada do eucalipto, agravou a situação, e no meio de tudo isto, o " negócio do fogo", que não é nada de desprezar.
Mas como factor principal, entendo que a culpa maior é do centralismo lisboeta que impuseram ao País.
E dá-me náuseas assistir a tanta inteligência dos comentadores e fazedores de opinião da TV, para quem o País profundo deveria ser uma reserva de índios onde pudessem passear, fruindo de uma paisagem maravilhosa para mostrar aos meninos, como os avós viviam. É tão giro...
Há momentos em que a paciência se esgota, e depois de uma tragédia destas, ter de ouvir papagaios, jornalistas e comentadores que não fazem a mínima ideia do que é arranhar o cu num tojeiro, só me apetece mandá-los bardamerda!
Desculpem o calão."
João Fonseca


Segundo texto:

"Para muitos comentadores e entendidos de última hora, floresta devia ser um sítio paradisíaco onde se caçasse, fizesse um picnic e no final do dia bem passado na " província", se regressasse a Lisboa para convidar os amigos para um bom escabeche de perdiz.
Como pode haver ordenamento florestal, num país onde as pessoas foram obrigadas a ir para Lisboa trabalhar, e deixaram os campos ao abandono?
O planeamento começa por ter coragem política de inverter a assimetria no país, promovendo a descentralização, a oportunidade de emprego no interior. E aí talvez a floresta voltasse a ser humanizada e então sim, exigir o ordenamento, o cumprimento de regras de boa exploração.
Com 75% do território abandonado, como pode a floresta deixar de o ser também?
Num país de serviços, onde se caminha a passos largos para ter metade da população nas duas grandes áreas metropolitanas, como evitar a completa desordenação florestal? Se não há pessoas no interior e a floresta está no interior, quem trata dela?
Cuidemos, antes de proclamar verdades absolutas de ordenamento, de planificação, de cumprimento de legislação, de ataques político partidários mesquinhos, de atacar o que está por trás de toda esta desgraça: a assimetria demográfica, que desertificou 3/4 do País.
Não querendo ser profeta da desgraça, se não houver mudança de paradigma de desenvolvimento, esta catástrofe dos fogos florestais, só pode piorar."

João Fonseca

4.6.17

Sou uma totó

Olha, compra o euromilhões! Atirou-me ele, já eu saía da garagem a caminho do supermercado. Agora que até preciso do raio da palavra para aqui escrever, reparo que nem isso sei! Comprar o euromilhões! Não pode ser! Cautela? Taluda? Sorte grande? Bilhete? Lotaria? Esquece!
 Nunca, nunquinha mesmo, senti o apelo do jogo, sei lá, aquele feeling que arrasta tanta gente. Por vezes, gostava de ter estas paixões,  deixar levar-me pela fezada, pela crença em algo...Quantas foram as vezes que tinha o propósito de comprar aquela-coisa-que-me-dá-milhões e regresso a casa onde, uma vez mais, bato na testa! Desvaneceu-se.
Desconfio que o danadinho do Murphy me elegeu para sua cobaia! 
Lá me dirigi ao quiosque e pedi um euromilhões! E com o meu mais puro e deslavado sorriso, informei a menina que não sabia como fazer. Explicou-me e eu só retive que cada "bilhete" custava 2.5 €. Ainda pensei que tinha de escolher números, fazer cruzinhas....Nada.  Comprei dois e rumei a casa. Aqui  atirei-os para dentro de uma das gavetas da cozinha.
Ontem, sábado, e já bem próximo da hora do domingo, lembrei-me da minha-sorte-que-estaria-esquecidinha-numa-gaveta-da-cozinha! Googlei os números e olhei, olhei, toininha, para os meus coisos do euromilhões e...tive dúvidas,  não quanto aos primeiros prémios, mas quanto aos pequenitos!
Daqui a pouco, vou passar pelo quiosque e, uma vez mais, ripando do meu sorriso desarmante : olhe, podia dizer-me se me saiu alguma coisa?  Assim, tipo quantia que dê para comprar outro título?
Cá está, título também soa bem!
Porém,  há um outro do qual não me livro e assumo: sou uma totó.



1.6.17

Do Oriente

...chega-nos, pela  mão de Sérgio de Almeida Correia, no seu "Destroços", informações sobre o mês de Portugal em Macau.
Entre as "entidades" envolvidas surge a Super Bock como uma espécie de elemento intruso!
Aqui há umas décadas, na quinzena de Portugal em Macau, recordo que connosco foram vários empresários fazer exposições de vinhos. Talvez os objetivos agora sejam outros.
De qualquer forma, é com agrado que registo o fortalecimento das relações entre Portugal e China, concretamente Macau que, sobretudo para nós, continua a ser o ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente.
"Destroços" é um título cheio de História. Acho eu.

28.5.17

O carneiro e o bode, assuntos de lana caprina. Ou será ovina?

- Mas qual é a diferença entre cabrito e borrego? 
- O cabrito é filho da cabra e o borrego é filho da ovelha.
E lá lhe descrevi as diferenças a nível da estrutura dos animais, a nivel do pelo...
- Mas o macho da cabra não é o carneiro?
- Não!  O carneiro é o macho da ovelha, e o macho da cabra é o bode, também chamado cabrão. 
Deu uma gargalhada:
- Cabrão?! Mas isso não se usa quando se quer insultar alguém? 
- Também... Também!
E fiquei espantada por ela, pessoa adulta, desconhecer a diferença entre estes animais.
Mas não devia. Isto é,  eu ficar espantada. Porque espantada, espantada, mesmo espantada, aliás,  já mais revoltada do que espantada, fiquei eu com a ignorância crassa estampada no Jornal de Notícias onde o jornalista usa de forma alternada, e várias vezes, as designações carneiro e bode para o mesmo animal!

Como podemos verificar, as diferenças são "mínimas"!




10.5.17

Orgasmo coletivo

É disto que o nosso povo gosta. A viver afogadinho na "mística" das coisas e tudo, mas tudinho, apostado na fé. Há quem lhe chame fezada.
E esse dia, o 13, será um novo Big Bang. Desculpem-me a heresia num tempo tão mariano.

A fé na santinha da azinheira
A fé no tetra do slb
A fé na vitória do Salvador.

Não há povo que aguente tanta emoção junta.

Post scriptum:
Já que estou com as mãos na massa, deixo aqui a minha prece: que a borboleta pouse no rosto do Salvador. O Sobral

7.5.17

Estás aí? Sim, mãe, estou aqui.

E continua com aquele hábito que sempre lhe conheci: reproduzir em discurso direto as conversas com terceiros. Do fundo dos tempos, parece que ouço um vai direto ao assunto. Mas não,  não consegue. E por entre a reconstrução do diálogo havido, encaixa adjectivação abundante,  reflexões sobre estados de espírito que captou na altura, usando, para tal, um timbre de voz mais cavo - aquilo que acho podermos considerar um discurso oral entre parênteses. Continua a ter dificuldade em ventilar o discurso, esgota o ar até à última sílaba que mal se ouve e que fica ali, a pairar no ar, sem entoação, logo seguida de uma tossidela que a sacode toda.
Respira fundo e retoma a sua maratona verbal.
Está feliz, e conta que umas doutoras tinham lá ido ao centro de dia, carregadas com um cesto de livros para distribuir pelos utentes e que vinham da parte da Câmara Municipal. Gostou muito da ideia, mas, de sorriso meio maroto, lá acrescenta que há muita gente que não conhece uma letra do tamanho de um boi. E diz que nem conseguia imaginar-se sem saber ler e que já leu quase todos os livros dos santinhos que têm sido publicados com o Jornal de Notícias, e que anda a ler o de S.Josezinho e salta para os bisnetos e pressinto-lhe o sorriso quando em discurso direto reproduz a frase do bisneto mais velho, gritada pelo telefone: bisa, beijinhos!
E fala dos netos que andam fora  de portas e a preocupam muito, e queixa-se das artroses que não a largam e que se não fossem as pernas tudo estaria bem.
- Estás aí?
- Sim, mãe, estou aqui.
Despedimo-nos. Pouso o telemóvel.
Estes são os 85 anos da minha mãe e que, mesmo com as irreversíveis artroses, ela possa continuar por mais uns anos junto de nós com as suas pequenas histórias cheias de vivacidade e energia.
Beijinho, mãe.