28.3.17

Da lampantana ao borrego

A semana da lampantana já lá vai e de ano para ano os restaurantes locais atraem muitas pessoas vindas de longe.

Agora, pelo que me apercebi, elegeram o borrego! Borrego no forno, borrego grelhado, borrego de ensopado, borrego de caldeirada, costeleta de borrego no espeto, borrego estufado, hamburguer de borrego, wrap de borrego...francesinha de borrego!
Uma forma de animar o concelho e aumentar a economia local!





"Só mesmo neste país.."

"Só mesmo neste país..." é uma expressão que anda na boca de muitos portugueses. Demasiados. Dizemos cá  e muita boa gente, emigrada,  diz por lá.  Pela Europa e não só. Demasiada.
Somos assiml Diletantemente soberbos quando criticamos o nosso país. 
Depois ficamos eriçados coletivamente quando um encaracolado, de nome impronunciável, dos paises baixos, nos diz algo que repetimos por aí  sob outra forma. Ė evidentemente positivo que nos revoltemos contra alguém que nos insulta e que até lidera um projeto europeu, mas já vai sendo tempo de alguns portugueses deixarem de se  armar em snobes e concluirem que Portugal é também da sua responsabilidade, mesmo que individualmente ínfima.

26.3.17

Patrulha Pata

Cena passada ontem, de manhã, com a minha nora, numa pastelaria do Porto.
- Queria encomendar um bolo de aniversário e com decoração com a patrulha pata.
- Muito bem, menina, e o nome do aniversariante?
- José Manuel.
-Ah...e a idade para as velas?
- 66 anos.
E um sorriso sentido foi cúmplice da vontade do meu neto que pediu à mãe um bolo de aniversário do avô com a patrulha pata.
Como ele, mais tarde ficou feliz!
E como todos nós ficámos felizes só porque o Duarte estava feliz.







23.3.17

É esta a Lídia...

...que eu prefiro.
Tentei. Tentei não uma, não duas, mas três vezes ler a Lídia Jorge. E, de cada vez, uma obra diferente. Ou pela estrutura, ou pela linguagem, ou pelos ambientes, a minha empatia foi quase sempre nula.
Hoje, a madrugar pelas ondas da internet, encontrei este longo texto dela, escrito há quase um ano, que me agarrou do princípio ao fim. Identifico-me com tanto que ele toca e para que remete que abalou este meu tédio último que se estende da leitura à escrita.
Faz-me bem sentir assim os textos.
Gosto mais desta Lídia Jorge.
Aqui.

9.3.17

Orthographia dos scelerados? Acá verrá!

Graça Moura – hum aucthor distincto e intellectual archaico


Teophilo d’AssumpçãoThomaz era parocho e, em 1912, sem dar satisfacções sôbre a orthographia, prohibiu na sua parochia que a pronuncia do Portuguez modificasse a ethymologia na escripta, decisão de Carolina Michaëlis, Cândido de Figueiredo, Adolfo Coelho, Leite de Vasconcelos e outros.

O parocho defendia o systema de orthographia da monarchia como o chimico defendia os manipulados da pharmacia. As phrases da rhetorica, fructo do seu talento, e as do theatro de que era aucthor, tinham a syntaxe d’esta lingua portugueza em que cantava os psalmos. Elle era hum intellectual distincto, não na arithemetica e na gimnastica, com instrucção para analysar a incoherencia e a differença da orthographia dos scelerados.

Teophilo odiava que o incommodassem com o novo systema de orthographia, abysmo que não approvava. Mandou collocar annuncios nos edificios da parochia a prohibir a nova orthographia e affligia-se com o que succedia nos novos livros.

Teophilo Thomaz foi um Vasco Graça Moura, fructo d’aquelle tempo. Perdia a phleugma e ficava exhausto nos combates mas, prompto, salvava o estylo e os diphthongos, às vezes com uma lagryma propria de quem se offendia com a expressão graphica das novas regras da Esthetica, que causavam damno à lingua portugueza.

Gostava de lyrios e melhorava a psychologia cantando psalmos. O extincto parocho não usou a assignatura archaica em paginas mal escriptas nem foi presidente do CCB.


Nota – Por decisão pessoal, o autor do texto não escreveu segundo a Reforma Ortográfica de 1911.

Carlos Esperança 

27.2.17

Negócio de crianças?

Tem vindo a lume, e já não é de agora, situações estranhas sobre crianças,  ou melhor, bebés recém-nascidos, que são retiradas às mães por técnicos ora da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, ora da Segurança Social e com uma ligeireza arrepiante.
Retirar um bebé de dias à mãe não é zelar pelos interesses da criança, sobretudo quandos os motivos são nebulosos.
É estranho verificarmos como isto cheira a negócio,  porque por cada criança retirada, algumas à rebelia dos tribunais, o Estado paga 800 euros mensais a instituições privadas, cujo número tem vindo a aumentar.
Não menos estranho é sabermos que algumas das justificações para a retirada das crianças se prendem com a situação económica das famílias. Não seria muito melhor que o estado desse esses 800 euros às famílias que seriam orientadas, supervisionadas por técnicos?
Ainda há pouco tempo andava meio país revoltado com o que se passava com as crianças portuguesas a viver na Inglaterra, onde, inclusive, se deslocou um grupo de advogados que,  pro bono, foi apoiar as famílias às quais foram retirados os filhos.
E aqui? Quem lhes acode?
 Sobre o caso reportado ontem no Jornal de Notícias, " Bebé retirado à mãe ainda no hospital", a CPCJ de Matosinhos decidiu sozinha mandar o recém-nascido para uma instituição.  Questionada a Presidente da Comissão, Rosinda Antunes, pelo advogado, que gratuitamente está a apoiar a jovem mãe, por que razão não avisaram a jovem sobre o seu direito a um advogado, respondeu que desconhecia essa obrigatoriedade.
Quem protege os pais das arbitrariedades de alguns dos elementos destas Comissões ditas Protetoras?
Refira-se que Sónia Castro, a mãe,  nem sequer estava referenciada pela dita Comissão. Que seria muito nova, que não demonstrava amor pela criança, que não estava preparada para ser mãe!  Tem 23 anos, a idade com que eu dei à luz a minha filha!
Bufaria em ação nos hospitais e maternidades? Chegaram à jovem como?
Faz lembrar aqui há uns tempos a teia montada entre bufos dos hospitais e agências funerárias que, pasme-se, eram quem avisava as famílias sobre a morte dos seus familiares.
Isto passou-se com a morte do meu sogro, a título de exemplo.
Outros textos críticos sobre crianças sonegadas aos pais: Aqui, aqui e aqui.






19.2.17

O ano de todas as catárses

Será o ano de metade, ou mais, do país beato andar de mãozinhas erguidas e olhos líquidos postos nas azinheiras. 
Ontem, " Uma imagem de Fátima foi coroada este domingo na Catedral de Westminster, em Londres, com uma coroa de prata e ouro feita por uma joalharia portuguesa. A cerimónia na capital britânica faz parte das comemorações do centenário das aparições." (in Sic Notícias.)
Que êxtase, que frisson, que paroxismo emocional! Sobretudo, deduzo o ardor patriótico em se saber ali, naquele emblemático espaço,  a nossa Fatinha a ser "coroada" ( mas isto é  muito terreno, muito profano, não?!) onde é coroada a monarquia britânica e têm lugar outros eventos ligados à monarquia.

Na década de 1940, a ignorância e a simplicidade do povo eram moldáveis.
E hoje?
Até governantes da nação, na altura, Paulo Portas e a Cristas invocam, ou antes, convocam a satinha para resolver problemas, ora ligados à mancha de óleo que sabiamente não alastrou das costas da Galiza até às nossas, ora para que chova! 
E agora? Com tantos diabos à solta.

É por estas e por outras que...


 (in revista Visão de fev/2017)


              

16.2.17

Caixas de comentários

...vomitadores públicos.
Já nem valerá a pena, por cansaço, refererir o vazadouro em que se transformaram as caixas de comentários das notícias online, das redes sociais e outros. O largo da povoação,  o café ao fim da rua, a mercearia ao lado da porta, etc, tornaram-se espaços obsoletos para a troca de ideias ao modo dos outroras, até as grandes superfícies comerciais vieram minar essa coisa boa, profiláctica, que era cusquice em bando.
O espectro alargou, agora abre-se a janela da comunicação e fala-se para o mundo. Coração escancarado, verve torrencial e a razão reduzida a valores mínimos.
Todos falam de tudo. E isso é  mau? É bom?
Liberdade de expressão acima de tudo é a nossa conclusão fofinha...mas começa a ser assustador constatar como essa liberdade está a soltar monstros de passados civilizacionais ainda recentes e que julgávamos inertes.
Vem isto a propósito, e não só, da celeuma surgida à volta das atrizes Maria Vieira e Ana Bola e que mete o Trump lá pelo meio.
Foi no FB, pela pena sempre irónica de Pedro Vieira, que a curiosidade me levou à página da atriz Maria Vieira.
A senhora pode publicamente expressar, e nós até defendemos esse seu direito, como diria o outro, o seu grande apoio a Trump, mas o medonho são os comentários gerais e ainda a forma como a dita senhora reage aos comentários que lhe são contrários mesmo que escritos de forma educada.
É esta triste figura daqueles se apoiam na liberdade de expressão, mas com a indisfarçável vontade de limitar a dos outros.

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1219135958207724&id=100003339948938

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1244655818989071&id=100003339948938




"/.../ Acabei de assistir à tomada de posse do novo presidente dos EUA. Hoje foi porventura a única vez que, durante cerca de 20 minutos, o mundo inteiro pôde ouvir as palavras, os desejos e as promessas de Trump sem que ele fosse interrompido, censurado, insultado ou ridicularizado por todos aqueles que ficaram profundamente tristes, desapontados e até, pasme-se, enraivecidos com o resultado das eleições livres e democráticas que o levaram ao poder, nomeadamente os meios de comunicação afectos às elites económicas, sociais e políticas que pretendem fazer do mundo o seu parque de diversões privado.
Não sei se Trump irá concretizar tudo aquilo que deseja e que prometeu fazer ao longo da sua campanha e durante o seu discurso de hoje, seguramente e á semelhança de todos os seus antecessores também irá falhar, mas eu e muitos milhões de outros/as na América e no resto do planeta, desejamos-lhe coragem, determinação e sucesso na sua gigantesca empreitada, torcemos para que ele possa tornar o mundo mais democrático, mais próspero, mais justo, mais pacífico, mais seguro e, consequentemente, mais forte e mais feliz, sendo que até aqui e sob as administrações americanas anteriores, nomeadamente durante a administração Obama, a fome, a injustiça, a guerra, a miséria, a desigualdade e a pobreza nunca pararam de aumentar, apesar de todos os declarados elogios, de todos os apoios prestados e de todo o«endeusamento» atribuído durante longos 8 anos ao agora ex-presidente dos EUA./.../"

Maria Vieira dixit.





15.2.17

Aprendeu. Espero eu.

Ao fundo da minha cama, uma jovem médica, ainda em fase de aprendizagem, falava de costas para mim com a enfermeira. A conversa, pelo que fui escutando aqui e ali, nada tinha de sigiloso  : ela isto...ela aquilo, porque ela. Eu tinha espelhado na minha cara o desagrado que a situação me estava a causar e de que a enfermeira se apercebeu. 
A jovenzinha ia já a virar as costas sem um água-vai, quando eu, entre o simpática e o irónica,  disse:
- Senhora doutora?
- Sim? 
- Aqui a ela gostaria de estar a par de tudo o que se passa e como esteve sempre de costas para mim, fiquei "intrigada"(subtileza minha!)
- Ah...desculpe.
E um pouco corada, lá fez o ponto da situação. 
- Ah...muito obrigada! - respondi eu sorridente.
Ao longo destes onze longos dias,  e com dezenas de jovens médicos ( "visita guiadas " de turmas de alunos ☺), entrevistas para trabalhos de pesquisa, etc, este foi o único caso negativo. 
Espero ter contribuído um pouco para a formação humanista desta jovem . Os hospitais, e todas as instituições de saúde,  são locais  onde a fragilidade humana está muito presente e um bom técnico de saúde precisa de ir para além de saber o número da cama do doente.
De resto o Chuc é um hospital que presta um serviço médico fantástico e com uma vertente humanista muito evidente.

12.2.17

Não suba o sapateiro além da chinela

Vivemos tempos que nos servem notícias numa espécie de rodízio num movimento alucinante. Entre mentiras camufladas de verdades e vice-versa consoante os interesses esconsos, andam sempre as poeiras no ar sem que consigamos vê-las a assentar.
Confinada a quatro paredes num hospital, passados nove dias sinto-me entediada e dispersiva para escrever, tal a diversidade de assuntos a merecerem uns comentários. 
Tenho lido muitos blogues de variadas temáticas e no Causa Nossa encontrei um post do Vital Moreira, Assunto Encerrado, e que me espantou pelo facto da Academia das Ciências de Lisboa vir a lume com propostas de alteração ao AO90, como se fosse um organismo autónomo e não tivesse de prestar contas.
Ainda sobre este desrespeito pelas instituições, leia-se o texto de Rolf Kemmler - Sócio Correspondente Estrangeiro da Academia das Ciências  de Lisboa - sugerido por Vital Moreira.
Em suma: há pessoas, instituições, que andam por aí em roda livre, julgando-se donas do pedaço!  
( thumbs.web.sapo)