23.9.18

Acrescenta Um Ponto Ao Conto

O ideal seria rematar com um ponto final!
É já a segunda vez que me largam aqui um convite para visitar o blog "Acrescenta um ponto ao conto" e sobre o nosso texto...nem um comentariozito.
Podemos sempre ignorar, enfim, a poia que nem aquenta, nem arrefenta, mas será desta forma, tal como noutras situações do nosso quotidiano, que vamos aceitando bovinamente este tipo de atitudes, fazendo crer a estas pessoas que é algo normal.
E não é! Um blogue não é propriamente uma caixa de correio onde se despeja publicidade. É de uma grande falta de cortesia, entrar, vender o peixe e sair desarvorado ainda que embrulhado num discurso esfuziante e pro-literário
Em tempos, havia por aí muitas senhoras, sobretudo brasileiras, que entravam no blogue, faziam um convite e largavam links que pareciam rastos de caracóis...
Resumindo: se vier fazer algum convite, antes pergunte-me pela saúde, diga algo sobre o tempo, lembre o pib galopante...sei lá, mas opine sobre o meu post.
Agradecida.


20.9.18

" Está a aprender" - espírito justiceiro?

Frase ambígua, mas que normalmente é entendida como uma satisfação na aplicação de um castigo. Até temos aquela expressão popular: toma lá que é para aprenderes!
Nesta notícia, ligada à corticeira Fernando Couto S.A , em Paços de Brandão, Feira, há algo que não bate certo. Uma funcionária foi readmitida por ordem do tribunal, tendo-lhe sido atribuída pela empresa uma tarefa repetitiva sem qualquer resultado produtivo que não seja a pura humilhação. Os colegas confirmam e dizem que ela "está a aprender". E é isto que, a meu ver, é assustador, mesmo desconhecendo eu, em pormenor, as reacções da senhora. Não é normal da parte de uma empresa escravizar assumidamente  os seus funcionários - com razões de queixa, ou não,  devia procurar outras soluções - e a reação dos colegas da senhora que, se não queriam ser solidários, podiam ser mais recatados, bem como no apoio à empresa. Mas admitirem a situação humilhante e regozijarem-se com isso é sintoma de uma sociedade doente.
Predadora.

19.9.18

Ó oliveirinha da serra....

Fechei o apartamento e aproveitei a boleia da carrinha de mudanças que nos levaria à nova morada.
Quer o motorista, quer o ajudante mal falavam inglês e foi com muita surpresa que ouvi o mais velho dizer que gostava dos sons da língua portuguesa por causa de um antigo amigo brasileiro, e a pedir-me que cantasse uma cantiga portuguesa. Delicadamente recusei, mas ele, sorridente, insistia. Apanhada completamente desprevenida, uma enorme branca apoderou-se do meu cérebro e eu ali, pateta, de sorriso amarelo, na companhia de dois estranhos e no meio do trânsito londrino, buscava desesperadamente uma cantilena qualquer. Dei comigo a trautear ó oliveirinha da serra! Senti-me ridícula, mas eles sorriam.
Mais tarde, ao contar esta experiência aos meus filhos, perguntou-me o rapaz:
- Mas não te lembraste, ao menos, da Minha alegre casinha?
No dia seguinte, voltei ao apartamento para receber uma equipa de limpeza - o contrato previa uma "professional cleaning"- e surgiram duas moçoilas. Entabulei conversa com elas...nada. Perguntei-lhes de que país eram...nada! Country, land, home, termos triviais não eram do seu conhecimento.
Armei-me em Jane, namorada do Tarzan, bati no peito e disse com um grande sorriso: Eu, Portugal! Ah...Bulgaria, responderam elas em coro!
No final, quando voltei para fiscalizar a limpeza e pagar, perguntei-lhes por um trabalho de pagamento extra, apontei, nada, não percebiam patavina. Ligaram a uma senhora a quem eu chamei a atenção para o contrato sobre a limpeza das "blinds" e que, por gestos, as moças não tinham limpado. A senhora...nada, até que , finalmente, veio ao telefone um homem, de forte sotaque, mas que percebeu a minha queixa e deu instruções às meninas que, de pronto, completaram o serviço.
Despediram-se muito sorridentes.
Felizmente o sorriso não precisa de tradução.
Fechei a porta e meti o jogo de chaves por debaixo da porta, tal como o acordado entre a minha filha e o landlord.
O que seria de Londres sem estes imigrantes, que são aos milhares? Será que  roubam mesmo os empregos aos autóctones? 

28.7.18

Os vampiros já não temem o sol

Pouco a pouco, eles espreitam, assomam aqui e além até que, sem medo, nem vergonha, começam a espraiar-se sob o nosso olhar indiferente. Abúlico.
Complacentes, porreiraços, rematamos com um "isto é democracia". Cientes de que o nosso sangue de abril continua a ter a eficácia da vacina antifascismo e com todos os anticorpos em dia.
Mas não!
Onde nasceu aí foi posteriormente sepultado, mas permaneceu a raiz profunda que teima agora furar a crosta da terra que já não é a mesma.
Ou será?






4.7.18

Shakespeare, o cientista.


 O visceral desdém pelas letras/humanidades em que a toada "letras são tretas" perseguiu toda a minha geração e se foi perpetuando nas políticas educativas apostadas quase exclusivamente nas ciências e tecnologias está a dar agora os seus frutos. Frutos selvagens, acrescente-se.
O mundo das humanidades é complexo porquanto abrange muitas áreas,  muitos temas e em cujo centro se posiciona o ser humano com todas as suas mundivivências e mundividências. 
Li algures, e não recordo já o autor, que um médico que não é humanista nem médico consegue ser. Eu incluiria muitos outros cursos/profissões ligados às ciências e tecnologias. 
A dicotomia ciência -humanidade é  falaciosa, pois cada uma precisa da outra enquanto pilares da eterna construção que é o ser humano, se uma falha tudo rui.
Já tem uns meses, mas gostei de ler uma entrevista de António Damásio, de quem já li várias obras que devorei rapidamente. E porquê ? Porque sendo  ele um neurocientista estabelece pontes harmoniosas entre a neurociência e as emoções do ser humano. 
A desumanização que se vive nas sociedades atuais precisa urgentemente de ser combatida e há que valorizar o ser humano e a condição humana, sensibilizando-o para a generosidade, para o altruísmo, para a empatia com o outro...
Ė pelo estudo das artes, das literaturas, das filosofias, pela busca da espiritualidade que o ser humano se eleva e realiza. A ciência é a corrente que o liga à realidade inevitável. 

"Quando me perguntam qual o maior cientista de sempre, respondo: na minha área,  é  Shakespeare"
Entrevista a António Damásio .

29.6.18

Megalomania ou visão de futuro?

"...mais um sintoma do esgotamento da capacidade do aeroporto de Lisboa, que em 2017 atingiu o seu maior tráfego de sempre, superando os 26,6 milhões de passageiros transportados. A julgar pelos dados do primeiro trimestre, o recorde deverá ser batido de novo este ano."
Expresso, 25/06/2018

"Recorde-se que o estudo do LNEC sobre a localização para o novo aeroporto internacional de Lisboa foi entregue esta quarta-feira.(...)
Para a elaboração deste estudo, o LNEC contratou peritos em ambiente, acessibilidades, análise económica e aeronáutica, valências que de que a instituição não dispunha.
Decisão vai ao encontro das últimas recomendações
Alcochete tinha sido também a localização defendida pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) que entregou o estudo ao Governo, no final de Outubro. Na altura, a associação disse que «a construção do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete permite responder às expectativas de crescimento do tráfego aéreo e o desenvolvimento de uma cidade aeroportuária». Falou-se também que esta opção era três mil milhões de euros mais barata do que a Ota.
Para trás, ficou ainda o estudo realizado pela Associação Comercial do Porto que defendeu «Portela+1», com localização no Montijo."
Tvi24 10/01/2008

23.6.18

Da Dimensão Universal da Infâmia


"Um das mais estúpidas, mesquinhas e perigosas justificações para em democracia legitimar e oferecer o poder a toda a sorte de aldrabões, demagogos e pequenos ou grandes ditadores: «Ele fala muito, mas faz!» Existe uma variante de idêntico calibre: «Ele até pode roubar, mas faz!». De Salazar já ouvi dizer: «Ele até podia mandar torturar, mas morreu pobre.» "

Rui Bebiano

13.6.18

Enfim...!

Comecei a ler e pensei, olha, mais um que parte antes da hora.
Não morreu fisicamente, mas outra morte o aniquilou.
O mundo está cada vez mais perigoso!

"As manhãs da Antena 1 estão mais pobres. António Macedo, um dos grandes nomes da rádio portuguesa, o homem que, com a sua cultura, conhecimento e humor preenchia há longos anos as melhores manhãs da rádio pública, desapareceu dos microfones. A voz do ‘Programa da Manhã’ da estação pública, do qual era também autor e realizador, desvinculou-se segunda-feira de todas as suas funções. António Macedo, uma referência absoluta da rádio tinha um conflito em tribunal com a RTP. Motivo? Tem 67 anos e estava há 15 anos a trabalhar a recibos verdes. Isto é, na condição de precário.
Precária está uma empresa ou o mundo onde estas precariedades são o novo normal. "

12.6.18

E agora pagamos nós?


Portugal condenado a indemnizar Paulo Pedroso em 68 mil euros.

E agora quem paga somos nós todos, cidadãos de um país cuja justiça se transformou num reality show com detenções em direto nas tv's e carros a alta velocidade pelas ruas da capital do império.  Porém futrica.

Para quando sacar responsabilidades aos mentores  de determinadas decisões judiciais?
Em todas as atividades profissionais, os seus elementos são responsabilizados pelas suas decisões, comportamentos, atitudes, à excepção  de alguns seres alados : juízes, titulares de cargos governamentais e os grandes gestores banqueiros..

Sempre que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos repõe a justiça há que exigir responsabilidades e ressarcimentos pecuniários  individuais  a quem erradamente aplicou a justiça.


Palavras de outros:

"Acresce, porém, outro motivo para nos indignarmos: em vez de serem os contribuintes portugueses a pagarem as dezenas de milhares de euros, que agora cabem a Paulo Pedroso, porque não hão-de Rui Teixeira e Souto Moura a ressarci-lo? Porque devem os meus impostos servir para colmatar as criminosas decisões de ambos?
Perspetivando-se futuramente uma decisão semelhante a respeito da Operação Marquês seria bom que o governo legislasse no sentido de transferir as suas futuras responsabilidades indemnizatórias impostas pelos Tribunais Internacionais aos juízes e procuradores, que agem como autocratas e negam aos que acusam os direitos mais elementares da presunção da inocência e do bom nome. Talvez assim se possa evitar esse ameaçador projeto, anunciado por um azougado vilão, que prometia conseguir para os juízes do século XXI a tomada do poder em detrimento dos que só o voto nas urnas legitima."
Jorge Rocha, in Ventos Semeados

10.6.18

Pastar perus!

O César Mourão, apresentador do programa Terra Nossa, da Sic, e em horário nobre:
- Ia pastar perus?
A expressão foi repetida várias vezes...até na letra de uma balada ali inventada e cantada, fazendo eventualmente caminho nas mentes menos preparadas.
Ó César, moço, aprende: 
As ovelhas pastam as ervas viçosas dos campos.
Os pastores apascentam o rebanho.

Os seres humanos não pastam. Embora ainda haja casas de pasto e usemos a expressão consolada no final daquele banquete: grande repasto, pessoal!