6.2.19

Somos todos filhos da mãe

Ao fazer a limpeza no pc (andava há anos para a fazer!), encontrei este texto que escrevi em janeiro de 2015. É assustador concluir que a escalada continua e que entre 2004 e final de 2018 foram assassinadas 503 mulheres, vítimas de violência doméstica, direta e indireta. Acrescente-se mais 10 mortes num mês e seis dias que leva o ano de 2019.


Ser filho da mãe é a versão fofinha do ser filho da puta. É fácil de ver que quem é insultado é a mãe, mas, na sua imensa sabedoria popular, o povo, que visa insultar e envergonhar o filho, acaba por enlamear a dignidade da mãe que é a que apanha por tabela
Há ainda a expressão filho de um cabrão, embora não seja tão recorrente uma vez que mexe com pruridos  androcêntricos.
Adiante.


Indo agora direita ao assunto que aqui me trouxe e que está intimamente ligado ao título acima. É horrível, medonho, o número de mulheres que foram mortas nos últimos dez anos, cerca de 356, 44 em 2014 e 2015 já conta com mais uma mulher barbaramente  assassinada.

Um casal de Setúbal, na casa dos 50 anos, aparentemente sem nada que indiciasse problemas entre si, económicos, ou de outra natureza, acaba desfeito quando o homem mata a mulher com uma faca de cozinha.
Por curiosidade, as facas de cozinha, tão usadas ultimamente em homicídios, não têm a mesma moldura penal que as armas de fogo. Têm atenuantes!

Setúbal é o distrito do país que apresenta mais violência doméstica e Seixal é o concelho com mais homicídios de mulheres.
Para combater esta cifra negra, foi criado um movimento “ Somos todos filhos da mãe” que, para além de sensibilizar para o combate deste flagelo, vai estudar as razões. As constrições económicas serão obviamente algumas delas.
 Voltando à designação do movimento, atrevo-me a analisá-lo sob duas perspetivas.
Uma prende-se com o facto de todo o ser humano ser intrinsecamente bom, positivamente avaliado pela sociedade, mas, de repente, sem nada que o preveja, mostra a faceta de um monstro. Daí o sermos todos uns filhos da mãe, umas bestas em potência.
Outra, pela facto de sermos todos, sem exceção, gerados no ventre de uma mulher. Logo, somos todos filhos “de uma mãe”.
Prefiro esta segunda leitura.
Lutemos pela dignidade e pelo respeito de todas as mulheres!

(26 janeiro 2015)

29.1.19

A vertigem do espelho

 Após o primeiro ministro ter dito, mais de uma vez, que tinha toda a confiança na Polícia Portuguesa, vem a dona Cristas insistir numa pergunta idiota! Pergunta idiota implica uma resposta à altura. Por vezes também idiota.
Qual o espanto, ó senhor Telmo Correia? O primeiro ministro bateu no fundo?
Ainda sobre vergonha alheia, gostaria de lembrar à sodona Cristas, que foi o que senti quando veio a lume dizer que tinha  assinado um documento enviado pela ministra Maria Luís e que, como estava de férias, nem o tinha lido!
Sabe por que senti vergonha alheia? Porque mesmo nos antípodas políticos, não deixo de apoiar toda e qualquer mulher que se entregue à res publica, num ato de cidadania e da importância da presença das mulheres na vida fora do lar. A senhora defraudou tudo. E, pelo que observamos diariamente, está a cair no paradoxo de engrossar a voz e adotar os tiques dos machos da política. 
Seja elegante, seja apenas mulher e, sem abdicar da luta pelas suas causas, verá que será respeitada sem necessidade de invocar, com pudicícias tontas, vergonhas alheias.

24.1.19

Escola de Cães-guia para Cegos

No início da década de 90, naquele dia cinzento e sob um manto de chuva miudinha, faltava-nos cumprir o último encontro da nossa apertada e exigente agenda, já nos arrabaldes de Manchester, cidade onde iríamos apanhar, quase de seguida, o avião de regresso a Portugal.
Após uma semana intensa de reuniões e visitas diversas a instituições para troca de saberes/conhecimentos, esta seria, assim, a nossa última visita e a que viria a ter maior repercussão no nosso país e que, felizmente, continua ainda hoje a treinar cães-guia para ajudar cegos de todo o país, a custo zero.
Trouxemos a ideia de lá, concretamente o meu colega e amigo, o veterinário João Pedro Fonseca que fazia parte da equipa de quatro elementos.
Depois de muitas batalhas, até na da defesa da promulgação da lei que veio a permitir a entrada de cães-guia em zonas interditas à circulação para animais, o Dr João Fonseca conseguiu finalmente erguer a Escola de Cães-guia para Cegos, da qual é director.

                                          ***

Escola de Cães-guia para Cegos

Existem muitas formas de nos ajudar na nossa Missão de educar Cães-guia para Cegos. Uma delas é fazendo um donativo específico para a educação dos futuro cão-guia.

Cada valor corresponde à aquisição de artigos e/ou serviços que vão ser necessários ao longo da educação destes futuros "olhos de quatro patas"

Estes são alguns exemplos de donativos específicos e do que representarão:
- 15€ 🎁🐾 uma Trela e um Colete;
- 30€ 🎁🐾 um Colete de Família de Acolhimento;
- 35€ 🎁🐾 uma visita ao Veterinário;
- 40€ 🎁🐾 um mês de Comida para um Cão.

E ao fazer-nos um donativo, para além de nos estar a ajudar nesta causa tão importante, também está a beneficiar de vantagens fiscais. A ABAADV está reconhecida como Instituição Particular de Solidariedade Social por publicação no Diário da República nº 164 , III série, de 18 de julho de 2000, logo o seu donativo dá direito a uma redução nos impostos.

 Querem apoiar-nos na nossa Missão? Agradecemos todo o vosso apoio

[ para saber mais informações sobre como fazer um donativo à ABAADV e ajudar-nos na formação de Cães-Guia para Cegos visite o nosso site: http://www.caesguia.org/ajudar_donativo.html ]






DESCRIÇÃO DA IMAGEM:
Labrador amarela com ninhada de cachorros amarelos e pretos, sobre tapete colorido na maternidade da Escola de Cães-guia para Cegos






22.1.19

Dostadning


Quantas vezes não ouvimos a familiares, ou a amigos próximos: quero tratar disto, resolver aquilo, etc, antes de morrer que é para não dar trabalho, ou complicar a vida aos que cá ficam?
Soa a morbidez, mas é mais frequente do que pensamos. Ou queremos pensar.
Inconscientemente, ou seja, mesmo sem desejo expresso, dei comigo a destralhar-me, a desapegar-me de coisas e de ideias feitas. A questionar sobre que nem tudo é para a vida toda, como agora se diz.
Sinto-me entre uma iconoclasta e uma realista descarada a quem a idade permite o acesso a tudo.
Sobretudo, uma sensação de liberdade, de leveza. Relativizar, abandonar o hamster que sempre nos habitou, não tem que ser a antecâmara da morte, é soltarmo-nos dos grilhões de uma sociedade que nos impõe tudo, que nos suga, que nos anula.

Dostadning é um conceito, de origem sueca, que é abordado no livro de Margareta Magnusson.
Haverá alguma dose de ironia em contraponto com a proliferação de livros de autoajuda. Dizem. 
Se tem curiosidade, abra o link:

Sabe o que é o dostadning?

20.1.19

Genéticas...

Possivelmente isto sempre foi assim, mas nas últimas décadas, talvez por via da globalização, o fenómeno tornou-se mais evidente.
O impacto das tendências da moda na vida das pessoas resulta num look que as torna todas parecidas. É cada vez mais difícil encontrar alguém que se distinga pelo diferente.
E por falar em pessoas parecidas, há celebridades mundiais que quase confundimos, tal é a sua semelhança. A genética é algo divertido!


Zooey Deschanel and Katy Perry
30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Bradley Cooper and Ralph Fiennes

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Natalie Portman and Keira Knightley

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Cindy Crawford and Eva Mendes

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Melanie Griffith and Meg Ryan

Ian Somerhalder and Rob Lowe

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Bill Murray and Jim Belushi

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Patrick Dempsey and Guillaume Canet

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Jennifer Garner and Hilary Swank

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Cameron Diaz and Helena Christensen

Zoe Saldana and Thandie Newton

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Kim Kardashian and Nicole Scherzinger

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Milla Jovovich and Linda Evangelista

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Jeffrey Dean Morgan and Javier Bardem

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

Michelle Williams and Carey Mulligan

30 Uncannily Similar Actors We Always Mix Up

15.1.19

Só tu, Álvaro, seu amoral...


E, de repente, toda a gente lê, de uma só penada, os 240 versos da Ode Triunfal de Álvaro de Campos e deslumbra-se.
As redes sociais, essas bacanas, contorcem-se em espasmos de uma cultura nunca lida. 

"Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!"

O mundo continua lindo e eu "amo você ".

29.11.18

Somos todos filhos da mãe

Ao fazer a limpeza no pc (andava há anos para a fazer!), encontrei este texto que escrevi em janeiro de 2015. É assustador concluir que a es...