21.11.17

Emoções a céu aberto

Morreu inesperadamente um colega da escola e que pertencia ao seu grupo disciplinar. Ela quis homenageá-lo e colou uma quadra singela de despedida no seu mural do facebook.
A curiosidade inicial, e identificada a triste situação, foi dando lugar à consternação de ex-colegas, ex-alunos e pessoas em geral. A dada altura, os comentários foram tornando-se mais intimistas e liam-se frases do tipo: tem coragem, amiga, estou contigo, força, sê forte, lá em cima a estrelinha ficará a olhar por ti...E tantas outras frases gastas, de circunstância, numa escrita sem filtro onde muita coisa é mesmo o que parece: pessoas que não leem, limitando-se apenas a bojardar.
Perplexa, vi no mural da minha amiga a morte não de um amigo e colega, mas de um familiar muito íntimo e imaginei a seu desconforto.
Por tudo e por nada, estas orgias emotivas que surgem sob a forma de avalanches nas redes sociais são assustadoras, porque mostram a banalização e o sequente esvaziamento das relações humanas.

Descansa em paz, amigo. Isso não se faz, morrer aos 62 anos.


7.11.17

A língua faz o falante

O falante faz a língua. Este não será um processo arbitrário, individual, porque a língua é um instrumento de comunicação social que congrega uma determinada comunidade de falantes e que está em permanente evolução e mutação. Estas alterações acompanham a evolução das sociedades que recriam e adaptam a língua a novos conceitos.
O fenómeno da globalização imprimiu um ritmo diabólico à renovação da língua e se, por um lado, está a levar à sua miscigenação, por outro, inventa uma outra semântica.
Assim, atualmente, assistimos a um processo inverso, ou seja, a língua está a moldar o individuo, o que pode ser assustador.
Nas relações laborais, por exemplo, o termo "colaborador" dilui a ideia da responsabilidade social , sobretudo de quem emprega.
No mundo da restauração, um outro exemplo, enfeitar qualquer prato com a palavra gourmet é um abracadabra para o sucesso.
O uso abusivo de expressões inglesas induz, muitas vezes, o indivíduo a considerar-se o próprio  cosmopolitismo em pessoa.
Web Summit! Impõe-se-nos, a expressão e o conceito, e são sininhos para a nossa economia. Dizem. E o conceito também nos diz que isso do assalariado já se perdeu na espuma dos tempos e que agora todos podemos ser empreendedores.
 A língua já não nos serve, somos nós que estamos ao serviço da língua.
Mesmo assim, tratem-na bem.



2.11.17

Enquanto não chega cá a moda do assédio sexual...

"Por cá, a ópera bufa de Tancos continua em exibição e com grande sucesso. Cada episódio é mais hilariante que o anterior e todos os intervenientes estão de parabéns pelas magníficas prestações que tem tido.

Depois do roubo do material de guerra que ninguém viu; depois de se saber que a videovigilância estava avariada, a cerca por reparar e que as rondas eram quando calhava; depois de terem sido demitidos temporariamente cinco chefes militares para não perturbar as investigações, que foram reconduzidos antes de serem conhecidos os resultados das ditas; depois de se suspeitar que o material já estaria todo no estrangeiro, prestes a ser utilizado por perigosos jihadistas, eis que os cidadãos foram informados que afinal se tratava de material obsoleto e para abate, pelo que os larápios não só tinham feito um favor ao país ao levar a sucata como o país se podia rir de larápios tão mal informados; depois de ser dado por adquirido que tal material nunca apareceria, eis que ele surge como por encanto num armazém a pouco mais de 20 quilómetros de Tancos, descoberto pela Polícia Judiciária Militar, que o retirou imediatamente do local sem dar conhecimento senão algumas horas depois à Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), da Polícia Judiciária (PJ), que lidera a investigação; depois de se saber que praticamente tudo tinha sido recuperado, eis que é revelado que afinal os assaltantes ainda devolveram uma caixa que não constava da relação inicial do material roubado em Tancos. Extraordinário!"

in Expresso Curto

1.11.17

A Catalunha perdeu a glamour



Como de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, confesso que sempre olhei a Espanha como o mesmíssimo desdém que o seu povo  usa para connosco. Recordo que quando trabalhava no Turismo em Coimbra, ao longo de quase 10 anos, conseguia distinguir um espanhol de um sul americano, mesmo ambos falando espanhol. Tempos idos e talvez agora esmaecidos por força da vizinhança com a CE. Vem isto a propósito da minha.ignorância sobre o problema da Catalunha que teria passado para Castela, não por força das armas, mas resultante de "prendas" de casamento que se resolviam na cama. Ou seja, Catalunha não foi tomada por Castela e, nos.dias de.hoje, não vivia oprimida por Madrid, nem os catalães eram perseguidos.
Tinha, no entanto, a ideia de uma.Catalunha libertária, de ter sido, e continuar a ser, o centro cultural de Espanha, tanto na ditadura como no início da transição politica,  Barcelona​ o ponto de. encontro de criadores de todas as artes, o berço editorial do boom latino-ameicano...
Mas não....face ao que vemos, afinal a Catalunha cansou-se, enquanto zona rica e próspera, de estar a contribuir para as zonas economicamente mais estranguladas de Espanha. Quer seguir orgulhosamente só, cavalgando a pileca do nacionalismo serôdio e, pior, de uma ideologia fascizante..
E a Espanha é.que é fascista porque está a travar a livre auto-determinação de um povo?

Pobre povo rico...

31.10.17

#MulherNãoEntra

Dizem que elas são mais numerosas na frequência do ensino superior.
Mas também dizem que elas estão pouco representadas na liderança das empresas e  de outros organismos de relevância na sociedade portuguesa.
Todos defendem, à boca cheia, a paridade do género, que elas devem ter acesso às mesmas possibilidades deles...numa babel ensurdecedora.
E para demonstrar que a prática nega a teoria, há uma página criada há já algum tempo, cujo título é #MulherNãoEntra, que " é um repositório da não presença de mulheres no espaço público, mediático e académico. "
O último exemplo delatado na página - Workshop de Filosofia e Literatura 2017/2018, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa -  é tanto mais espantoso quanto quase inverosímil, porque tem lugar numa Universidade, um espaço de enorme responsabilidade na difusão da cultura cívica, e não só,  de um país e numa área comprovadamente de grande frequência feminina.
9 professores, 0 mulheres.








26.10.17

Se todos pagarmos, todos pagaremos menos.


Havia 3 dias tinha lá estado e tinha pago 7.50€ por 3 pilhas para relógios. Voltei para levantar um relógio que tinha ficado para consertar e ainda comprar uma quarta pilha e uma bracelete de pele, perfazendo a quantia de 27.50€.
Tal como tinha acontecido anteriormente, não disponibilizou fatura, porém, desta vez, resolvi pedir-lha.
- E quer a fatura para quê?  Já não tem despesas que cheguem?
Sem descer dos saltou, respondi, irónica :
- Assim pagamos os dois.

12.10.17

Sobre nadas

Nas horas do vazio até os clichés, emergindo do fundo dos tempos, ganham outro sentido.
Todos temos, ou tivemos, uma avó sábia a quem recorremos para rematar uma circunstância ou evidência.  Já dizia a minha avó,  dizemos. E assim se lacra a verdade com o sinete de família.
 Os clichés são sedimentos-chapa das nossas pegadas existenciais buriladas pelo grande mestre que é o tempo.
São tão ocos quanto necessários, como diria a minha avó. Ou a tua. Ou a do outro.


                                                        (do iz not me iz you)





5.10.17

Portugal está cada vez mais sexy e solidário


Ultimamente, temos vindo a assistir a uma moda, que se vê também fora de portas e que, a meu ver, alia de forma harmoniosa três coisas: solidariedade, beleza/sensualidade e reconhecimento profissional e social.
Começo pela última. Profissões, umas mais, outras menos, reconhecidas pela sociedade, passam a ter uma outra visibilidade e dignidade.
A segunda desmistifica a ideia de "porcos e feios" que, por ignorância, ou preconceito, se colou a determinadas atividades profissionais.
Finalmente a última, e que é a primeira, uma moda que promove a solidariedade.  E isto é bonito. Muito. As vendas dos calendários revertem para instituições de solariedade social.
Os Bombeiros Sapadores de Setúbal já publicaram dois ou três calendários e com muito sucesso.





Agora será a vez do Calendário Agrícola 2018, com o título "Ao serviço da terra" e cujas vendas, 5€, revertem para a Recovery, uma instituição barcelense que trabalha na área da doença mental. Este calendário é uma iniciativa de um grupo de amigos,  todos eles agricultores da zona de Barcelos.
Filipe Figueiredo, o mentor, diz-se satisfeito "porque de uma forma simples, solidária, mas também divertida, chama a atenção para duas questões fundamentais : a agricultura e a doença mental".

 


,




Também a Associação Académica da Universidade do Minho tem vendas online do seu Calendário Social do Judo e que publica desde há uns anos. Não se trata aqui dum grupo profissional, mas de uma modalidade desportiva que cumpre o seu desígnio principal: solidariedade.
Uma pequena busca no google mostra-nos como tem havido, e continua a haver, cada vez mais calendários publicados por grupos de pessoas inesperadas com fins solidários.






4.10.17

E o que seria do amarelo?

No meu blogjogging de hoje, li a mesma situação descrita, mas com conclusões diametralmente opostas.
E o giro é que somos levados a concordar com ambas a críticas.

Diário do Purgatório. 

O Meu Quintal.








Jubas galácticas

Post vazio de ideias, mas cheio de capilosidades.

Que raio de coisa mais sem xó nem arre!